Vereadores rejeitam moção de repúdio contra secretário após episódio com picareta

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Rejeição da moção ocorreu em meio a críticas sobre falta de compreensão de violência política de gênero

Foto: Reprodução/Vídeo Câmara

Em sessão realizada nesta quinta-feira (16), a maioria dos vereadores votou contra o documento que repudiava a conduta de Temístocles Cristófaro; parlamentares alegaram que o caso deve ser tratado na Justiça, e não no Legislativo.

A Câmara Municipal de Ribeirão Pires viveu uma sessão tensa nesta quinta-feira (16) ao colocar em votação a moção de repúdio contra o secretário de Clima, Meio Ambiente e Habitação, Temístocles Cristófaro. O documento tratava do episódio ocorrido em 7 de abril, no Calçadão da Rua do Comércio, quando o secretário teria avançado em direção à vereadora Fernanda Henrique (PT) empunhando uma picareta.

Apesar da gravidade do relato, a maioria do plenário rejeitou a moção. O principal argumento utilizado pelos parlamentares contrários foi de que a Câmara não seria o fórum adequado para tal julgamento. O vereador Diogo Manera (Progressistas) classificou o instrumento como “político” e sem “efeito prático”, defendendo que o foco deve ser a apuração formal pelos órgãos judiciários e não pela Casa de Leis.

A discussão expôs uma profunda divisão sobre o papel institucional da Casa. Enquanto parte dos parlamentares sustentou que um “juízo de valor” no plenário poderia gerar interpretações prejudiciais antes de uma investigação concluída, outros levantaram a necessidade de a Câmara se posicionar firmemente contra casos que configurem violência política de gênero.

A defesa do secretário foi reforçada por parlamentares como Leandro Tetinha (PRTB), que afirmou que Cristófaro teria sido alvo de provocações durante a discussão no Calçadão. Tetinha justificou seu voto contrário mencionando um relato de sua própria filha, que teria negado a ocorrência de violência no episódio. Na mesma linha, a vereadora Amanda Nabeshima (Progressistas) afirmou que, embora não estivesse presente no local, votava contra a moção baseada em informações de terceiros que alegaram que o ato de agressão não teria ocorrido.

Votação e ausências

Apenas dois parlamentares votaram favoravelmente à moção: a própria vereadora Fernanda Henrique, autora da denúncia, e o vereador Alessandro Dias (Progressistas). Em sua fala, Dias justificou o voto citando o respeito à sua família e seu posicionamento contrário a qualquer tipo de agressão contra mulheres.

A votação contou ainda com a abstenção de Sandro Campos (PSB). Já o vereador Anderson Benevides (Avante) não participou da decisão, tendo se retirado durante a sessão para tratar de problemas pessoais. O caso agora segue sob análise das autoridades competentes para apuração de responsabilidades na esfera judicial.