Enquanto projeto de lei busca transformar vagas de estacionamento em áreas de convivência, gestão municipal planeja reintroduzir o tráfego de veículos no tradicional Calçadão da Rua do Comércio.

Foto: Ilustrativa – Reprodução Google
O prefeito Guto Volpi enviou à Câmara Municipal um projeto de lei que autoriza a criação de “parklets” — plataformas de convivência em vagas de estacionamento; no entanto, a proposta divide opiniões diante da intenção da gestão de reabrir o calçadão da Rua do Comércio para veículos.
A Prefeitura de Ribeirão Pires busca modernizar o mobiliário urbano com um novo projeto de lei que introduz os “parklets” na cidade. A proposta, que agora aguarda votação dos vereadores, prevê a instalação de estruturas temporárias com bancos, mesas e floreiras em espaços hoje ocupados por carros. Segundo o texto enviado ao Legislativo, o objetivo é “humanizar as ruas” e oferecer novas áreas de lazer acessíveis a todos os cidadãos, 24 horas por dia.
O projeto estabelece que a instalação e manutenção dessas áreas ficarão a cargo da iniciativa privada por meio de um Termo de Permissão de Uso (TPU). Embora o custo seja do permissionário, o uso do espaço deve ser estritamente público, sendo proibida qualquer exclusividade para clientes dos comércios. A prefeitura também prevê a cobrança de um preço público pela ocupação do leito carroçável.
Contradição Urbanística
Apesar da justificativa de “humanização” apresentada no projeto dos parklets, a gestão de Guto Volpi enfrenta críticas por adotar uma postura inversa em relação ao Calçadão da Rua do Comércio. Enquanto o projeto de lei propõe transformar vagas de carros em áreas de convivência, o plano do governo para a região central é reabrir o calçadão para o tráfego de veículos.
Moradores e críticos da medida apontam uma incoerência na política urbana. Para este grupo, o Calçadão, se revitalizado com o mesmo conceito dos parklets — recebendo mobiliário adequado e paisagismo —, seria o maior e principal espaço de convivência da cidade. A decisão de priorizar a circulação de carros no local, incluindo a transformação do espaço atual dos taxistas em via de rolagem, é vista como um retrocesso que ignora a tendência moderna de cidades que priorizam o pedestre, o uso de bicicletas e a preservação do meio ambiente.
A falta de diálogo com a população também tem sido alvo de contestações. Relatos indicam que a decisão sobre a Rua do Comércio não passou por uma consulta ampla com os moradores, reforçando críticas sobre o estilo de gestão centralizador de Guto Volpi. Agora, cabe à Câmara Municipal analisar se o incentivo aos parklets compensa a perda de um espaço de pedestres consolidado no coração da Estância.


