Quem são os heróis por trás da máscara?

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Ribeirão Pires completou 67 anos de emancipação político-administrativa na última sexta-feira (19). A cidade, no entanto, enfrenta a pior crise sanitária já vista na história recente da humanidade, e em toda a história da cidade.

Muitos dizem que não há o que comemorar, e há de se concordar que realmente a situação está longe do que víamos antigamente, com desfiles, grandes eventos e algomeração. Nossa realidade hoje é outra, mas se ainda há esperança, devemos à ciência e aos profissionais de saúde, que trabalham dia e noite para que saiamos deste momento atual o mais rápido que pudermos.

O DiárioRP foi atrás de profissionais de saúde que atuam na cidade par entender como que é o dia a dia vivendo 24 horas na pressão e como que estes homens e mulheres decidiram que queriam seguir a profissão de salvar vidas.

A primeira pessoa ouvida pela nossa equipe foi a enfermeira Silvana Lima, que entrou para a enfermagem por conta de uma tia, que já era enfermeira, e hoje já trabalha na área há 26 anos, e atua no hospital de campanha da cidade (HC). Para ela, o pior problema é o emocional, pois, segundo ela, o paciente desestabiliza de uma forma muito rápida e pega a equipe de forma desprevinida. “Eu tava acostumada a ver paciente sendo entubado e até a morrer, mas o paciente que tem covid é diferente. Agora ele está falando com você e daqui a pouco ele já decai e vai pra entubação. A gente fica arrasado”

Já para a Patrícia Bezerra, também enfermeira do HC, o sonho dela era ser veterinária, mas uma amiga trouxe ela para o ramo que atua hoje, e já tem 14 anos na área.

A profissional se diz frustrada por ter pessoas que não entendem e não aceitam as recomendações das autoridades sanitárias. “As pessoas não conseguem entender o que a gente fala. A gente vê muita gente sem máscara, aglomerando, sem se higienizar. Isso causa frustração porque parece que a gente tá trabalhando, e fazendo e fazendo, mas parece que as pessoas não conseguem nos ouvir, eu to bem cansada”.

A profissional ainda vai além e com os olhos embargados de lágrimas, diz que ora todas as noite e pede pra Deus força. “Todas essas pessoas que se foram são o amor de alguém. São pais, avós, tios. Eu sempre que chego na minha casa, faço uma oração e peço pro senhor tomar conta. Espero muito que a vacina chegue, e que tudo isso passe logo”.

Já para Joice Camargos, a profissão veio por conta de sua própria mãe. “Foi sempre uma área que eu admirei. Fiz o curso técnico, entrei para a prefeitura e decidi que era isso mesmo que eu queria para a minha vida”. Hoje, ela já atua há sete anos como técnica de enfermagem. “Hoje eu me sinto extremamente feliz pois estou atuando na vacinação. Vejo a parte boa de tudo isso, as pessoas alegres por serem vacinadas. Nunca me senti tão reconhecida”.

Para o médico Antonio Carlos André de Castro, a medicina também veio através da família. Hoje já está na profissão há 13 anos e é um dos médicos que atuam no Hospital de Campanha da cidade. Castro também é o coordenador do HC de Santo André. “Eu chego em casa só pra dormir, isso quando eu consigo dormir em casa, e não no trabalho. Estamos sobrecarregados, mas a gente não pode parar de fazer o trabalho. São dezenas de pessoas que eu vi morrer nesse período, talvez até mais de uma centena e muitas vezes sem que a gente possa fazer nada. Algo que
eu nunca vivi na minha vida. Nós estamos quebrados por dentro”, finaliza o médico, que alerta para os munícipes que pessoas jovens estão morrendo, e pede que todos ouçam os profissionais de saúde para que ninguém mais precise continuar morrendo.