Importante obra para segurança dos usuários está no papel desde 2011; número de mortes cresceu 50% em 12 meses na via que corta a região
Foto: Celso Luiz/DGABC
Em 21 de abril de 2025, o Diário publicou uma reportagem que trouxe expectativas aos usuários da Rodovia Índio Tibiriçá (SP-31), que atravessa Santo André, São Bernardo e Ribeirão Pires, além de Suzano. Na ocasião, o DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem) informou que, após uma espera iniciada em 2011, havia previsão para a definição do edital de licitação. No entanto, um ano depois, a publicação do documento, prevista para aquele segundo semestre, ainda não ocorreu. A reportagem é da jornalista Tatiane Pamboukian do Diário do Grande ABC
Em agosto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) esteve no Diário, confirmou a entrega e deu uma data precisa: outubro de 2025. À época, o projeto executivo, que detalha informações sobre a execução da obra, era elaborado. A partir de então, seria possível publicar o edital para iniciar o processo de licitação que definiria a empresa responsável pelas intervenções.
De acordo com o departamento, essa etapa do projeto está concluída. Porém, o edital ainda não foi liberado. Questionado sobre novos prazos e o que motivou o atraso, o órgão não justificou e disse que estão em andamento as ações administrativas para sua publicação e contratação das obras. As melhorias incluem duplicação da pista entre os km 33,1 e 69,3, além da construção de transposições em desnível nos cruzamentos com linhas férreas e dispositivos de acesso e retorno.
Diariamente transitam pelos 37,2 km da rodovia, considerando toda a extensão, 20 mil veículos, sendo 9.462 no sentido São Bernardo e 10.666 em direção a Suzano. O alargamento é recomendado para fluxos acima de 10 mil. As intervenções garantiriam melhor trafegabilidade e mais segurança aos motoristas e pedestres.
Conhecida como “Rodovia da Morte”, a via tem passagens estreitas e veículos circulam em altas velocidades em sentidos opostos. Essa estrutura aumenta o risco de colisões, como a que aconteceu em 31 de março deste ano, na altura do km 41, em Ribeirão Pires, entre dois carros e uma carreta, que culminou em uma morte.
Entre 2024 e 2025, a rodovia registrou, somente nos trechos pelo Grande ABC, 267 acidentes e 15 mortes. Segundo dados do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), de um ano para o outro, houve crescimento de 50% no número de vítimas fatais, de seis para nove. Apesar da elevação nos óbitos, os sinistros diminuíram, de 186 para 81, o que evidencia maior gravidade das ocorrências.
15 ANOS DEPOIS
A espera da população pela duplicação da rodovia completa 15 anos. A proposta foi iniciada no governo de Geraldo Alckmin (PSB), quando o projeto estaria em análise por técnicos do DER. Na época do anúncio, o governador chegou a cogitar o início das obras logo após a inauguração do trecho Leste do Rodoanel Mário Covas.
A obra de alargamento tinha previsão de entrega para 2015, enquanto o anel viário, inicialmente previsto para 2014, foi concluído apenas no ano seguinte. De 2015 a 2025, a Rodovia Índio Tibiriçá acumula 138 óbitos em toda a sua extensão.


