Após diversas mensagens de moradores sobre três cachorros que permanecem em um terreno no bairro Santa Clara, em Ribeirão Pires, o DiárioRP ouviu as tutoras dos animais para esclarecer a situação.
Segundo as moradoras, elas viviam no local há cerca de 15 anos, mas precisaram deixar o terreno após a área ser destinada à APRAESPI. Elas afirmam que, durante a desocupação, não receberam suporte sobre o destino da família, dos pertences e dos animais.
“Moramos no local tem 15 anos, porém a Prefeitura prometeu o terreno para a APRAESPI e, com isso, tiraram a gente de lá”, relatou uma das moradoras.
De acordo com o relato, no dia da desocupação, os pertences da família teriam sido retirados e colocados de forma improvisada em outro terreno cedido pela APRAESPI para armazenar móveis. As moradoras afirmam que parte dos objetos ficou exposta à chuva e acabou molhada.
Elas também relatam que, durante a demolição da residência, um saco de ração dos animais permaneceu no local e teria ficado sob os escombros.
Ainda segundo as tutoras, no terreno viviam duas mulheres, cinco crianças, um homem, sua esposa e uma bebê de oito meses.
A família afirma que, diante da quantidade de pessoas e dos animais, encontrou dificuldades para conseguir uma nova moradia dentro do prazo disponível.
Atualmente, segundo as moradoras, uma delas está em outro local, enquanto a mãe permanece com as crianças na residência de um pastor.
Sobre os cães, a tutora afirma que os animais estão com a família há mais de 15 anos e que não foram abandonados. Ela relata que esteve no terreno no último domingo para levar alimentação e água aos animais e providenciou uma lona azul para protegê-los da chuva.
“Vamos retirar os animais o mais rápido possível, até porque estão conosco há mais de 15 anos. Já fazem parte da família”, afirmou.
Procurada pelo DiárioRP, a APRAESPI apresentou a seguinte nota oficial:
“A área em questão foi concedida para a APRAESPI pela Prefeitura, através da Lei nº 7.079, de 9/12/2024, onde a APRAESPI vai construir a equoterapia.
Mas essa área tinha sido invadida por uma família. Apesar de várias solicitações para que ela saísse, foi necessário entrar na Justiça.
Com a data da última ordem de despejo vencendo em 8/9/2026, ela colocou no terreno 7.000 blocos, areia e pedra. Ela perguntou sobre esses materiais e falou que o pastor tinha dado para ela. Só depois ficamos sabendo que iam construir uma igreja no local.
Os objetos encontrados estão guardados na casa da chácara da APRAESPI, próximo do local. Fizemos um inventário do conteúdo por 10 dias.
Na primeira data da ordem judicial de despejo, compareceram ao local o Conselho Tutelar e vários curiosos.
No dia 8/9, o senhor secretário de Assistência Social falou que não poderia fazer nada porque era invasão.
Os três cachorros são agressivos e os vizinhos, inclusive o nosso caseiro, não deixam seu filho caminhar. Agora, os donos dos cachorros fizeram um abrigo. Não sabemos se são vacinados.”
O DiárioRP continua acompanhando o caso até a retirada dos animais pelas tutoras




