A Capela Anglicana Cristo Redentor completa 93 anos de história em Ribeirão Pires e celebra a data no próximo domingo (30), às 16h, com uma celebração em ação de graças. Fundada em 1933 pelo Reverendo José Orthon, a igreja mantém até hoje a ligação com a história da antiga ferrovia inglesa e busca fortalecer sua presença na comunidade por meio da fé, do acolhimento e de ações sociais.
Para o reverendo Marcelo Aparecido Bessa, que está à frente da capela há três anos, a trajetória da igreja anda junto com a própria formação de Ribeirão Pires. “Ela vem da ferrovia, dos ingleses da ferrovia”, afirma. Segundo ele, o Reverendo José Orthon fundou comunidades ao longo da linha férrea para que os trabalhadores ingleses pudessem exercer sua fé.
A relação com a ferrovia também explica parte da atuação social construída pela capela ao longo das décadas. Marcelo lembra que Orthon costumava ficar na estação distribuindo informações sobre a igreja e ajudava pessoas a encontrar empregos nas empresas inglesas da região. Com o passar dos anos, a comunidade também passou a distribuir cestas básicas e auxiliar famílias em situação de vulnerabilidade.
“Tem muitas famílias aqui de Ribeirão Pires que foram ajudadas pela igreja”, conta o reverendo, que também destaca o trabalho desenvolvido na década de 1970 com crianças da cidade.
Luiz Antonio começou a participar da capela em 1977 e atualmente é responsável por uma parte da memória musical da igreja, ele restaurou e doou à capela um harmônio de 1954, instrumento que eventualmente toca durante as celebrações. Depois de passar anos afastado, ele diz que reencontrar a igreja ativa foi motivo de satisfação. “Ver a igreja novamente, totalmente diferente, ativa, é muito bom. As pessoas poderem conhecer a história, poderem frequentar, poderem participar dessa igreja”, afirma.
A história da ferrovia também faz parte da trajetória familiar de outra frequentadora, Cleide Prado mora em Ribeirão Pires há oito anos, mas seu pai nasceu em Paranapiacaba e trabalhou como maquinista da linha Santos-Jundiaí. Depois da pandemia, ela encontrou na Capela Cristo Redentor uma comunidade que, segundo ela, reúne espiritualidade e atuação social.
“É uma igreja agregadora. Ela não distingue, não tem exceção. Ela agrega. Isso, para mim, é de suma importância”, afirma Cleide, ex-Assistente Social e hoje aposentada. Cleide participa das iniciativas de arrecadação de roupas, utensílios e outros materiais destinados à Missão Scalabriniana, que atende imigrantes e refugiados. “Eu não entendo o cristianismo fora disso. Só discurso não resolve. Tem que aliar os dois, prática e palavra”, diz.
Para Marcelo, esse caráter acolhedor é justamente uma das marcas da tradição anglicana. “É uma igreja que acolhe a todos e todas. A gente crê que todas as pessoas são filhas e filhos de Deus”, resume.
A capela passou por um processo de revitalização iniciado em 2021, depois de permanecer durante anos sem atividades regulares. A reabertura ocorreu em abril de 2022 e, desde então, o espaço voltou a receber celebrações, projetos sociais e atividades comunitárias.
Atualmente, a Capela Anglicana Cristo Redentor permanece aberta às terças e quintas-feiras, das 13h às 18h30, para acolhimento, oração e atendimento à população. As celebrações eucarísticas acontecem aos domingos, às 16h.
A comemoração dos 93 anos contará com a participação especial do Centro de Referência do Idoso (CRI) e de representantes de outras comunidades anglicanas. O encontro pretende reunir autoridades, sociedade civil e moradores para celebrar a trajetória da igreja e renovar seu compromisso com a cidade. A celebração será realizada no dia 30 de agosto, às 16h, na Rua Alferes Botacin, nº 150, Centro Alto.




