Em entrevista especial de Dia das Mães, Walkiria relata a inversão de papéis, o desafio do cuidado e as lições de independência deixadas pela mãe.

Foto: Arquivo pessoal
Comemorar o Dia das Mães ao lado de uma matriarca de 96 anos é, para a psicóloga Walkiria, sentir a grandeza de uma vida dedicada à família. Em um relato emocionante ao Diário de Ribeirão Pires, ela compartilha como a data se tornou um símbolo de gratidão e resiliência, celebrando a presença da mulher que, mesmo com os desafios da idade avançada, continua sendo o centro das atenções de filhos, netos e amigos.
As memórias de Walkiria com a mãe são profundas. Ela recorda com carinho das madrugadas em que passavam conversando sobre seus estudos na faculdade de Psicologia, estimulando a curiosidade sempre viva da mãe, que trabalhou por muitos anos como costureira. No entanto, após a perda de um irmão e o declínio natural das funções cognitivas e motoras, a dinâmica familiar mudou. “Foi aí que os papéis se inverteram e eu passei de filha para mãe e cuidadora”, revela Walkiria.
Cuidar de uma pessoa idosa impõe desafios diários, como a necessidade de paciência extrema e a renúncia temporária de projetos pessoais. Por outro lado, Walkiria descreve o ato de cuidar como algo compensador. “É gratificante dar banho, passar creme, pentear o cabelo. É como voltar no tempo e lembrar de como cuidava dos filhos pequenos”, compara.
Atualmente, as lembranças da matriarca habitam o passado. Ela recorda com detalhes da filha bebê em uma bacia enquanto costurava, ou das travessuras no quintal de terra. Este será o primeiro Dia das Mães com ela acamada, após um período de 33 dias de internação, mas a celebração está garantida com o carinho de todos ao redor.
Indagada sobre o segredo da longevidade, a mãe de Walkiria é simples em sua sabedoria: “Não sei, apenas vivendo um dia após o outro”. Para a filha, o maior legado é o conselho que moldou sua vida: “Seja independente, trabalhe e não desanime. Busque com garra seus sonhos”.





