Em entrevista exclusiva, Andrelanya de Souza Giro compartilha os desafios e as belezas de criar Heloísa, de 17 anos, destacando a importância da rede de apoio e a necessidade de avanços nas políticas públicas para a Síndrome de Down.

Foto: Arquivo pessoal
A maternidade é, por natureza, uma jornada de descobertas, mas para as mães atípicas, essa trajetória ganha camadas extras de força e dedicação. Aos 55 anos, Andrelanya de Souza Giro recorda com clareza o nascimento de Heloísa, hoje com 17 anos. O diagnóstico de Síndrome de Down (SD) chegou acompanhado de um misto de sentimentos: a alegria pela chegada da filha e a preocupação técnica de quem já trabalhava com crianças com a mesma condição.
“Nossa maior preocupação era se teria alteração cardíaca junto, mas graças a Deus não teve. A segunda era se a equipe médica teria condições de acolher esse nascimento”, conta Andrelanya. Heloísa surpreendeu a todos ao nascer prematura, aos sete meses, em um parto normal.
Rede de Apoio e Autonomia Para enfrentar os desafios diários, a rede de apoio foi fundamental. Andrelanya destaca o papel do esposo e de seus pais, além do suporte clínico da Dra. Nanci, que acompanha a família desde o início. Essa base sólida permitiu que Heloísa crescesse em um ambiente de incentivo constante.
Atualmente na adolescência, Heloísa vive as transformações típicas da idade: vaidades, dilemas e a busca por hobbies como dança, violão e pintura. “Sempre incentivamos a autonomia e autoestima dela. Ensinamos que a diferença nunca será obstáculo; ela pode ser o que quiser, basta se dedicar e batalhar pelos sonhos”, afirma a mãe.
Desafios Públicos e Lições de Vida Apesar do progresso individual, Andrelanya aponta lacunas graves no sistema público. Segundo ela, as oportunidades e o atendimento na saúde para pessoas com deficiência ainda precisam avançar significativamente para garantir inclusão real.
Viver com a Síndrome de Down é, para Andrelanya, um exercício diário de desconstrução. Se pudesse resumir o aprendizado em uma palavra, seria “Presença”. Ela enfatiza o valor do afeto sem filtros, da resiliência silenciosa e da celebração das pequenas vitórias.
Para outras mães que acabaram de receber o diagnóstico, ela deixa uma mensagem de esperança: “O medo do futuro é o mais barulhento, mas não deixe que ele paralise o seu hoje. O diagnóstico não é o destino. O futuro chegará um dia de cada vez”.





