As obras para a liberação do tráfego de veículos no tradicional calçadão da Rua do Comércio estão previstas para começar no dia 23 de março, levantando questionamentos sobre sustentabilidade e mobilidade urbana.

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A decisão de permitir a circulação de automóveis em uma área historicamente destinada a pedestres tem gerado intensos debates na região. O calçadão, implementado originalmente durante a gestão da ex-prefeita Maria Inês, foi projetado para facilitar o acesso de quem utiliza a estação de trem e a rodoviária, além de fomentar o comércio local em ambiente seguro.
Críticos da medida apontam uma contradição direta com as metas da Agenda 2030, frequentemente citada pela atual administração municipal. A reabertura para carros prioriza veículos emissores de gases poluentes em detrimento da mobilidade ativa, o que vai na contramão de tendências globais de urbanismo que buscam cidades mais sustentáveis e voltadas para as pessoas.
Insegurança entre comerciantes e artesãos O setor econômico local manifesta apreensão. Comerciantes temem que a passagem de veículos reduza o tempo de permanência dos clientes nas vitrines e prejudique a acessibilidade. “O calçadão é um corredor vital. Centenas de jovens que saem das escolas do Centro Alto passam por aqui diariamente. Como fica a segurança deles com carros dividindo o espaço?”, questionou uma lojista.
A situação é ainda mais incerta para pontos tradicionais, como a banca de jornal que opera no local desde 1974, e para os artesãos da Feira de Artesanato. Sem uma definição clara sobre o novo destino da feira, os profissionais defendem que o foco deveria ser a revitalização e não a descaracterização do espaço.
“Deveriam investir em novos bancos, melhoria do piso e acessibilidade para idosos e crianças, preservando a história de mais de 20 anos deste local”, defendeu uma das artesãs que atua no corredor.


