Anderson Benevides: o vereador que precisa sair da caixa

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Há pouco mais de uma semana, iniciamos a série de reportagens sobre os vereadores da cidade. Ao todo serão 17 reportagens mostrando o trabalho dos parlamentares municipais. Nos textos, nossos jornalistas também darão a opinião sobre o trabalho de cada legislador. Toda terça e quinta, sairá uma matéria nova. Na última terça-feira (28), a vereadora da vez foi Amanda Nabeshima.

O quarto parlamentar da lista é o vereador Anderson Benevides (AVANTE). Conhecido por ser sobrinho do ex-prefeito Saulo Benevides (PMDB). Anderson teve um mandato anterior entre os anos de 2013 e 2016, no qual enfrentou alguns problemas por infidelidade partidária. Além disso, ele assumiu a cadeira de Gê do Aliança (Podemos) após o falecimento do vereador em maio de 2020.

Analisamos as últimas propostas de Anderson e duas saltam aos olhos de maneira positiva. A primeira é referente a nomeação de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha em cargos comissionados no Município de Ribeirão Pires. A lei que foi sancionada no meio do ano é interessante porque, não é punitivista no sentido de “proibir” os acusados de serem reintroduzidos na sociedade, apesar do título passar esta impressão. Ela é coerente ao passo que exige que os agressores cumpram todo o processo de investigação e pena definida pela justiça para só então serem reabilitados.

A segunda lei de destaque divergiu opiniões, mas seu saldo é positivo e está em harmonia com o município. O Projeto de Lei N.º 0002/2021 permite que professores e outros servidores da rede municipal de ensino possam consumir a merenda escolar distribuídas nas unidades. Desde 2009, existia uma lei federal que proibia a ação mas que nunca foi seguida a risca, até que o prefeito Kiko decidiu coloca-la em prática em 2017. Aqui vemos uma preocupação com o desperdício de alimento e também o bem estar de funcionários que, apesar de receberem vale-alimentação, podem não usufruir do valor destinado a alimentação por motivos diversos, como no caso de famílias maiores e imprevistos do dia-a-dia.

No entanto, Anderson Benevides ainda apresenta algumas propostas que são apenas firulas para a função de vereador. Principalmente se compararmos com os dois projetos citados anteriormente, elas parecem vazias. Neste quesito, muitas de suas ideias soam como “Dia Municipal do __” e você pode ter uma ideia disso no site oficial da câmara.

Algumas delas, inclusive, não respeitam o ideal de estado laico que se espera em nosso país. De exemplo temos o Dia Municipal do Circulo de Oração e também um PL para instituir o Calendário Evangélico na Estância. Adesões ao calendário de eventos em excesso, especialmente de cunho religioso cristão, segregam outras expressões de fé e não combatem a intolerância religiosa no município.

Há outras ideias para semanas comemorativas que são interessantes. Entre elas, um festival para artistas com deficiência, ações educativas sobre a Lei Maria da Penha e quebra de silêncio em casos de violência doméstica. O interesse em determinadas causas sociais existe, resta um visão mais ampla para ir além das comemorações e avançar em busca de novas medidas que impactem diretamente a vida dos munícipes. Benevides tem feito um bom trabalho, mas ainda precisa sair da caixa e analisar com profundidade a realidade de Ribeirão Pires.