Depois do Governador João Dória (PSDB), instituir no calendário oficial do estado o ‘dia da oração’, um Projeto de Lei com as mesmas disposições, segue para a ordem do dia desta quinta-feira (04), na Câmara.

Silvino Dias (Republicanos), se baseia na Bíblia para defender que é preciso pensar no que é bom. Menciona que ao invés de criticar as autoridades municipais, a população deve orar por elas.

continua após a publicidade

“O cidadão olha para o lado do partidarismo, para o lado pessoal. E quem perde com isso é o próprio município. Quando vi a lei sancionada pelo Governador, resolvi trazer isso para o calendário de Ribeirão. Pois orar só faz bem e muda as coisas”.

Silvino em seu gabinete, mostra uma taça com o nome dos políticos embebidos em óleo. “Nós já oramos pelas autoridades”. (Foto: Caroline Leme/DiárioRP)

Pela justificativa do Projeto de Lei, o dia da oração, serve para que “as autoridades exerçam um governo justo e estratégico, para que promova o bem de todos e a nação prospere”. Termina também com os dizeres “Para que se torne um hábito, que o povo passe a orar e não criticar as autoridades constituídas no Município de Ribeirão Pires e por toda a Nação Brasileira.”

Questionado quanto a forma que esse dia seria conduzido na Câmara, o vereador afirmou que pastores e cristãos foram convidados para o momento de oração no local, mas que ainda não tem maiores detalhes sobre a organização da data. De acordo com ele, o evento será ecumênico, porém, representantes de outras religiões não foram convidados pois a Lei ainda não foi votada.

Representantes da ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), consideram a lei que cria o Dia de Oração, uma imposição que fere a Constituição Federal “Achamos um absurdo essa lei. Imagina em uma empresa com pessoas de outras religiões, com outros hábitos que não praticam orações, ou até mesmo pessoas ateias, como vai ser? Todos serão obrigados a orar? Imagina o constrangimento das pessoas teístas olhando torto para o grupo que não está participando da oração. Ao nosso ver, isso fere o Estado Laico”.

De acordo com a Constituição Federal, o estado pode prestar proteção e garantia ao livre exercício de todas as religiões e suas liturgias, sendo vedado ao mesmo, estabelecer relações de dependência ou aliança, a menos que na forma da lei, haja colaboração de interesse público. Entende-se por Estado laico aquele que não professa nenhuma, mas tolera e aceita todas, inclusive a falta de religião.

Silvino enfatizou que na data, não será um culto na Câmara e sim um evento como já é realizado por exemplo, para comemorar o “Dia do Maçom”, no entanto, não terá a mesma duração de uma Sessão Solene.