O prefeito de Ribeirão Pires, Adler Teixeira – Kiko, e prefeitos das cidades do Grande ABC e da capital paulista se reuniram na manhã dessa quarta-feira, dia 13, com o governador João Dória para solicitar recursos ao Estado. Durante o encontro, no Palácio dos Bandeirantes, as Prefeituras, por meio do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, apresentaram demandas emergenciais relacionadas ao forte temporal que atingiu a região entre o final deste domingo e essa segunda-feira, dias 10 e 11.

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Ribeirão Pires solicitou verba para a construção de muros para a contenção de encostas, obras de drenagem e para equipar profissionais da Defesa Civil Municipal. A cidade pleiteou, ainda, o aumento do auxílio moradia, que é de R$ 400. A Prefeitura enviará à Câmara Municipal projeto de lei para dobrar o valor do programa na cidade.

“A reunião dessa manhã foi produtiva e recebemos o apoio do governador Dória nas ações emergenciais. Nossas cidades, especialmente Ribeirão Pires, onde foi registrado o maior índice pluviométrico, ainda estão se recuperando do impacto da forte chuva. Priorizamos nesse momento a segurança e o bem-estar dos moradores. Os recursos solicitados serão destinados à intervenções necessárias à prevenção de novas ocorrências e ao suporte emergencial das pessoas mais afetadas”, avaliou o prefeito Kiko.

O governador João Dória anunciou após a reunião com os prefeitos a liberação de recursos para a construção do Piscinão do Jaboticabal; para a construção de muros de arrimo; para a construção de galeria no córrego da Mooca; para o desassoreamento de córregos; além da liberação de R$ 20 milhões para o atendimento aos municípios via FUMEFI – Fundo Metropolitano de Financiamento e Investimentos; e de microcrédito, via Banco do Povo, para pequenos comerciantes que sofreram prejuízos em seus estabelecimentos durante as chuvas do início da semana.

Participaram da reunião equipe técnica do Governo do Estado, entre os quais o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido; o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy; e o secretário-chefe da Casa Civil Militar e Coordenador Estadual da Defesa Civil, Coronel PM Niakas.

Reunião entre o governador, prefeitos e o Ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, será realizada nessa semana para a solicitação de apoio do Governo Federal nas ações.

Ribeirão Pires trabalha no suporte às famílias e na limpeza de vias

Entre o final da noite de domingo, dia 10, e essa segunda-feira, dia 11, Ribeirão Pires registrou, em poucas horas, 172 mm de chuva – o maior índice do Estado. O alto volume de água provocou 92 ocorrências em diferentes regiões do município, a mais grave, com vítimas, no bairro São Caetaninho.

Desde a noite do domingo, equipes da Defesa Civil Municipal, Guarda Civil Municipal, assistência social, infraestrutura, trânsito, fiscalização, além do Fundo Social da cidade, estão mobilizadas no atendimento das ocorrências e no apoio às famílias removidas de residências em áreas de risco.

O prefeito de Ribeirão Pires, Kiko, anunciou na manhã dessa quarta-feira que, independente do apoio do Estado, o município enviou ao legislativo Projeto de Lei para ampliar de R$ 400 para R$ 800 o valor do auxílio moradia pago aos moradores dos imóveis interditados. O projeto foi aprovado por unanimidade pela Câmara na sessão ordinária da última quinta-feira (14).

Após a reunião com o governador João Dória, o chefe do Executivo ribeirão-pirense também comentou as ações solidárias no município, com a participação de moradores e empresas. A CBC, por exemplo, realizará doação de eletrodomésticos – fogão e geladeiras – aos moradores das casas interditadas no bairro São Caetaninho.

Equipes da Secretaria de Serviços Urbanos, com o apoio de Transportes e Trânsito, atuam, desde a madrugada de segunda-feira, em ações de desobstrução e limpeza de vias. Todas os pontos que tiveram trânsito parcialmente ou todo interrompido por queda de árvores ou deslizamento de terra, entre os quais a Avenida Humberto de Campos – na divisa com Mauá – já estão liberadas.

Interdições e suporte:

Bairro São Caetaninho (onde houve deslizamento de terra com vítimas) – Nove imóveis – 22 pessoas. Famílias estão sendo cadastradas no programa de auxílio moradia e optaram por permanecer em casas no bairro.

Jardim Mirante – Quatro imóveis interditados – 15 pessoas. Famílias estão sendo cadastradas no programa de auxílio moradia e abrigadas em casa de amigos ou familiares.

Todas as famílias removidas de suas residências estão recebendo o suporte da Prefeitura e do Fundo Social de Ribeirão Pires – alimentação, kits de higiene, entre outros itens.

Na Avenida Rotary, seis imóveis foram interditados – as famílias foram encaminhadas a casas de familiares e conhecidos por medida de precaução enquanto persistir a chuva.

Áreas de risco:

Em Ribeirão Pires, há 21 regiões com pontos classificados como áreas de risco 3 e 4 – que possuem, por suas características geológicas, alto potencial de deslizamento de terra. Entre as regiões que possuem pontos como esses está a Vila Nice, área em que está situada a Rua Alexandrina da Silva Aguiar (onde foi registrado o deslizamento com vítimas).

Serviços municipais:

Desde o início dessa semana, todos os serviços de saúde da rede municipal estão funcionando normalmente. O transporte público também opera sem alterações.

Apenas na rede municipal de ensino, por questões de segurança, as aulas foram suspensas em duas unidades: Escola Municipal Cícera Benevides dos Santos Silva, no Barro Branco, e E.M. Kátia Regina Carvalho Ribeiro, no Jardim Caçula. A previsão é que nessas duas unidades as aulas sejam retomadas na próxima semana.

Deslizamento com vítimas em Ribeirão Pires:

Após o forte temporal do início da semana, o caso mais grave foi registrado no bairro São Caetaninho, na Rua Alexandrina da Silva Aguiar. Deslizamento de terra atingiu imóvel em que estavam seis pessoas.

O caso ocorreu por volta da meia-noite de segunda-feira, dia 11. Seis pessoas estavam na casa atingida. Duas pessoas sobreviveram e foram encaminhadas ao Hospital Nardini, em Mauá (uma mulher de 52 anos e uma menina de 9). Quatro vítimas fatais da ocorrência foram localizadas e retiradas do local entre a madrugada e a manhã de segunda (três homens de 22, 32 e 33 anos; e uma mulher de 35 anos).

A ocorrência foi atendida pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil Municipal, com suporte e acompanhamento da Defesa Civil do Estado e do Instituto de Geologia do Estado de São Paulo.

O imóvel atingido pelo deslizamento era uma construção irregular. Em 2017, a Prefeitura realizou notificação à famílias que residiam em casas situadas em um dos lados da Rua Alexandrina da Silva Aguiar. Nessa ação, o imóvel atingido nessa madrugada não existia – sua construção foi posterior.