Em março, o Diário de Ribeirão Pires recebeu denúncias de que haviam Guardas Civis Municipais extorquindo cidadãos para que estes pudessem realizar eventos em chácaras na cidade. A denúncia, à época, consistia apenas na palavra dos denunciantes contra a versão dos acusados. Entretanto, há poucos dias gravações de áudio foram enviadas a redação do DRP, comprovando que houve, de fato, a prática de extorsão.

Nas gravações é possível ouvir uma mulher dizendo que “se eles (as vítimas), tivessem falado comigo antes, que sou mais experiente, não teria deixado fazerem isso”. Essa mulher falava a respeito das vítimas, dois jovens, terem aceitado pagar a propina ao GCM acusado. Ela completa: “Eles ficaram apavorados por que foi dito que a festa havia sido denunciada”.

Conforme a gravação era ouvida, ficava cada vez mais evidente que as vítimas não tiveram outra escolha a não ser entregar o dinheiro.

No início das conversas, por exemplo, um homem tenta explicar como funciona o procedimento em relação ao som alto.

“A única coisa que pode se fazer é ir até lá e pedir para que vocês abaixem o som, de acordo com a reclamação dos moradores; ou se houver denúncias em relação a menores ingerindo bebida alcóolica, uso de drogas entre outras coisas”.

 – Completando que “não existe pagamento de multa ou qualquer coisa semelhante. Isso (multa) você paga no IPTU da chácara”.

Em outro momento, um dos rapazes afirma:

“ A festa deu tudo certinho, só a questão dos ROMU irem lá e tirarem 600 pau [se referindo ao pagamento de 600 reais] da gente”.

A mulher também informa que os oficiais continuaram coagindo os garotos:

“Já mandaram mensagem pra eles no WhatsApp perguntando quando que ia ter outra festa”.

O DRP foi informado que o caso não está mais nas mãos da Corregedoria da Guarda Civil Municipal, e que agora o Departamento Jurídico da Prefeitura está analisando todas as acusações.

A Prefeitura confirmou que agora o Jurídico é responsável pelas investigações “por conta da gravidade dos fatos”, e que “não foram descobertas novas ocorrência e não haverá afastamento até o momento”.