Quem anda pela cidade certamente já constatou que Ribeirão Pires enfrenta vários problemas de infraestrutura: são diversos locais tomados por matagais, buracos, entre outros.

Bandeira hasteada num dos pontos turísticos da cidade está se desfazendo
Bandeira hasteada num dos pontos turísticos da cidade está se desfazendo (foto: Carlos Lima).

Por ser estância turística, Ribeirão Pires necessita também de investimento para receber os possíveis turistas que visitariam a cidade, mas não é o que vem ocorrendo ultimamente: diversos pontos turísticos estão em situação de completo abandono pela administração pública.

A Igreja do Pilar, igreja mais antiga do Grande ABC, embora se mantenha em pé há quase 300 anos e já tenha resistido a duas quedas de raio, encontra-se em estado deteriorado. A Avenida Santa Clara, principal via da região onde fica a capela, é alvo constante de reclamações, já que está repleta de buracos, lama e coberta por mato. A região só é superficialmente reparada uma vez por ano, dias antes da Festa do Pilar. Depois do evento, o esquecimento volta a pairar sobre o bairro.

Outro local que se encontra abandonado é o Mirante São José. O ponto turístico, inclusive, encontra-se há meses fechado para o público, que não pode visitar o local.

Parque Pérola da Serra (foto: Hugo Lobo / DiárioRP).
Parque Pérola da Serra (foto: Hugo Lobo / DiárioRP).

Os parques Pérola da Serra e Milton Marinho de Moraes (Camping) são mais exemplos do abandono dos pontos turísticos pela Prefeitura:

No Camping, a área de playground, que, antes, era atrativo para pais levarem seus filhos, hoje, já não existe mais. A estrutura foi completamente deteriorada pelo tempo, e o local atualmente é apenas uma grande caixa de areia. Além disso, mesmo após mutirão de voluntários para capinar o parque, o matagal ainda toma conta de boa parte do local e já volta a crescer em outra.

O Parque Pérola da Serra seria outro exemplo de descaso da Prefeitura Municipal. O que, antes, era um ponto turístico que sediava vários eventos, hoje, se tornou uma área esquecida. A ponte que liga um lado do parque ao outro apresenta-se em avançado estado de deterioração, o que causa risco à vida de quem quiser atravessá-la. A Prefeitura – em vez de reparar – chegou a colocar algumas madeiras para tentar impedir a entrada de pessoas, o que não teria surtido efeito.

O local, que, antes, também era utilizado para a prática de esportes como o arborismo, está deteriorado e em completo estado de abandono. É possível encontrar diversos focos de água parada, que servem como criadouro para o mosquito Aedes aegypti – causador de diversas doenças, como dengue, febre amarela e zika.

 

Irregularidades na obra do Hotel Escola

Obras do Hotel Escola já se arrastam por seis anos (foto: Hugo Lobo / DiárioRP).
Obras do Hotel Escola já se arrastam por seis anos (foto: Hugo Lobo / DiárioRP).

Ainda no Parque Pérola da Serra, é possível encontrar o Hotel Escola, que começou a ser construído em 2009, e até hoje encontra-se inacabado. Em volta da construção, existem outros diversos focos de criadouro do mosquito Aedes aegypti.

Há denúncia de que a empresa Formatual Sistema de Construção Civil LTDA, responsável pela obra, seria apenas de fachada, já que, no endereço informado no cadastro da Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), opera um salão de cabeleireiro, e os telefones informados na Internet não existem. Também não há cadastro desta empresa na companhia telefônica que opera na cidade.

Após investigação, a reportagem do Diário conseguiu o contato de Alexandre Costa Figueiredo, sócio-proprietário da construtora. Figueiredo afirmou que a obra está em processo final e que, após algumas adequações, a construção será finalizada.

Alexandre prometeu que tudo será entregue até setembro deste ano. Sobre a empresa, ele afirmou que o escritório da construtora funciona junto com o salão de cabeleireiro para economizar espaço, e forneceu o telefone da empresa para contato – que mais uma vez, a companhia telefônica informou não existir.

 

Investimentos

A Prefeitura se defende afirmando que

“Trabalha na gestão, junto a órgãos governamentais, instituições de ensino e associações ligadas à hotelaria, com o objetivo de estabelecer parcerias que tornem o espaço em um equipamento de ensino aliado a treinamento na prática, nas áreas de turismo, hotelaria e gastronomia.”.

Porém, afirma que, até agora, não conseguiu nenhuma parceria com as diversas entidade e universidades das quais buscou apoio. Alega, ainda, que está em negociação com a Associação Brasileira da Indústria de Hotelaria (ABIH).

Sobre a Igreja do Pilar, a Prefeitura informou que já fez um pedido de apoio financeiro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e que o processo se encontra em fase intermediária.

Reprodução / Facebook.
Reprodução / Facebook.

A Prefeitura alegou que tem um plano de Desenvolvimento Turístico. Dentro do programa, está concentrando investimentos recebidos do Governo Federal, do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias de Turismo (DADE). O total de investimentos é de R$ 25 milhões. Ainda segundo a Prefeitura, esse valor será investido no projeto “Cidade Encantada”, que visa construir um teleférico ligando o Complexo Ayrton Senna e o Camping.

Sobre os demais atrativos turísticos, a Prefeitura afirmou que dependerão de outros programas, e serão colocados em prática pela autarquia Ribeirão Pires Turismo (RPTuris) assim que for instituída. O órgão será responsável pela gestão e operação de turismo e eventos no município.

Nas redes sociais, no último dia sete, o Prefeito Saulo Benevides divulgou, animado, postagem em que afirmava estar em Brasília angariando recursos para a construção do prometido teleférico de Ribeirão Pires:

“Estou em Brasília, recebendo ótimas notícias do Secretário Nacional de Desenvolvimento do Turismo, Neusvaldo Lima e também da Diretoria da Caixa Econômica Federal, que nos confirmam a liberação de recursos para a construção do nosso Teleférico”.

Porém, a postagem causou mal estar em muitos internautas, que criticaram duramente a gestão atual. A maior parte dos comentários pedia atenção à saúde e à educação na cidade:

Reprodução / Facebook.
Reprodução / Facebook.

Dois dias após a publicação da postagem (9), o Prefeito Saulo Benevides retornou à rede social e editou sua publicação para justificar quem deverá arcar com o custo das obras de construção do teleférico.