Por Rafael Ventura.
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Professor Luiz com documentos da denúncia em mãos (foto: Rafael Ventura / DiárioRP).

Os rumos da gestão do atual Prefeito, Saulo Benevides, são novamente questionados por munícipes. Desta vez, funcionários e alunos do Centro de Formação Profissionalizante Professor Paulo Freire estão insatisfeitos com a situação em que a instituição encontra-se.

As queixas vão desde a falta de manutenção do espaço físico do centro profissionalizante até questões mais sérias, envolvendo a própria gestão pública.

A primeira das reclamações – e que tem se tornado assunto recorrente na cidade (vide aqui e aqui) – é o excesso de mato que cresce e toma as instalações da escola.

Em visita de nossa reportagem, constatamos que o terreno está coberto por um matagal denso; e a casa que, antes, era usada para ministrar aulas dos cursos de encanador e de pedreiro está completamente abandonada. Atualmente, o espaço vem sendo usado para estocar entulho.

A estrutura do prédio principal, em si, parece dispensar reparos mais trabalhosos: falta de pintura, encanamento quebrado etc. Todavia, o problema, segundo o Professor de Marcenaria do centro profissionalizante, Luiz Rodrigues Castro, é que a administração da instituição está precária:

“Uma vez quebrou uma torneira e ficou daquele jeito por um ano e meio. Um aluno ficou com dó e comprou uma nova. E nem para apenas instalar a torneira a Prefeitura veio. Tivemos que chamar uma outra pessoa.”

– indigna-se o professor.

Outro questionamento levantado pelo professor de Marcenaria é o fato de que os alunos que desistiram das aulas e não se formaram “recebem” diploma no dia da formatura, como se tivessem feito o curso:

Eu tenho dez, 12 alunos na minha aula, mas a presença vai para 20, 30. Há algo errado aí. Não sei se o repasse do dinheiro vem por aluno ou como funciona, não posso afirmar, mas isso não está certo!

E complementa:

“No governo do Clóvis Volpi, eram 15 turmas, e formamos 430 alunos. Agora, com três turmas, são expedidos 500 certificados! Como isso é possível? É fraude!”.

De acordo com outros funcionários, o descaso é tão grande que, muitas vezes, eles mesmos são obrigados a comprar matéria prima, com o próprio dinheiro, para que as aulas possam acontecer:

“Aqui, o professor de panificação vende os pães que os alunos fazem na aula. Com esse dinheiro podemos comprar mais matéria prima. Além disso, ele vai buscar com o próprio carro. Nem isso a Prefeitura disponibiliza.”.

Além dos problemas com a educação, os funcionários denunciam que, meses atrás, a Prefeitura aterrou um riacho que deveria correr na parte de trás do edifício:

“Foram cerca de 200 caminhões de terra que jogaram aqui. O vizinho de trás teve até que construir esse muro, porque a terra tava indo pra parte dele também.”.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Prefeitura rebate as denúncias: afirma atender a todos os pedidos da unidade na medida do possível; nega a emissão de certificados para alunos desistentes.

Ainda na nota, garante que o espaço foi capinado no começo do mês de fevereiro, mas que, por conta das fortes chuvas, o mato voltou a crescer em 15 dias.

Por fim, alega que as denúncias são infundadas, de cunho pejorativo, difamatório e comprometedor – motivo pelo qual a apuração deverá ocorrer mediante uma sindicância.

Veja nossas fotos tiradas no local: