Por Rafael Ventura.
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Veículo acidentado prestes a ser retirado por outra locomotiva (Foto: Rafael Ventura / DiárioRP)

Na tarde de ontem, um trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), com destino à estação de Rio Grande da Serra, pegou fogo entre as estações Guapituba e Ribeirão Pires.

A composição, que saiu da estação Brás, teve uma pane elétrica no sistema de refrigeração quando se aproximava de Ribeirão Pires. Após um estouro forte, a parte elétrica superior do último vagão começou a pegar fogo.

Foi quando uma fumaça preta começou a entrar no veículo e o desespero tomou conta. Segundo relatos de testemunhas, o botão de emergência foi acionado para a abertura das portas, mas o mecanismo não funcionou. Somente após esforço coletivo, é que foi possível abrir as portas do vagão. Quando as portas foram finalmente abertas, as pessoas começaram a correr e pisotear em quem estava pela frente:

Várias pessoas estavam chutando a porta e ela não abria, mesmo após ativarem o sistema de emergência. Quando abriu, todo mundo começou a sair ao mesmo tempo e a cair um em cima do outro.

– relata Cristiana Marcelino, que estava no mesmo vagão do acidente.

A leitora Paula Santos gravou o momento do acidente de ontem e nos enviou o seguinte vídeo:

A CPTM, através de sua assessoria de imprensa, informou que se tratou uma pane elétrica, e que somente poderá dar mais detalhes sobre o que realmente causou a explosão após a conclusão dos trabalhos da equipe técnica, que realizará a perícia no veículo incendiado.

O trem ficou estacionado na estação até as 19:05, quando foi “guinchado” por uma outra locomotiva até a estação Guapituba, onde a perícia foi realizada.

Pelo menos duas pessoas tiveram ferimentos mais graves: um homem foi hospitalizado após inalar muita fumaça, e uma senhora sofreu ferimentos em um dos braços após uma peça do teto cair sobre ela. Ao todo, foram cerca de 15 vítimas, e a maioria já foi liberada.

Para o advogado Rodrigo Colombaro, aqueles que tiveram prejuízos em decorrência do acidente devem acionar a CPTM:

É importante guardar recibos de gastos com remédios, consultas médicas, enfim, qualquer forma de comprovar alguma despesa por força do acontecimento. Também caberia indenização por danos morais já que a saúde, a integridade física e até a vida das pessoas podem ter sido lesadas. Cobrando, a sociedade ajuda a evitar que situações como essas venham a se repetir.

– explica Colombaro.

 

Pesadelo que não acaba 

O pesadelo não acabou por aí. As vítimas que foram encaminhadas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Luzia contam que não foram bem recebidas pela equipe do local, que dispunha, ontem, de apenas um médico para atender a todos os pacientes:

Eu fiquei jogada no canto. Ninguém me atendeu. Me deram Dipirona para a dor e só. Só depois de muita insistência, que a gente começa a chorar e gritar, levaram minha ficha até o ortopedista, e ainda tive que ir andando até a sala, mesmo zonza após ter inalado tanta fumaça.

– relata Edna Aparecida, outra vítima do acidente, que é estudante de enfermagem:

Eu tô estudando, mas vou fazer a diferença. Não vou ser esse tipo horrível de profissional.

Concluiu, ainda com pouco fôlego e estirada no chão do hospital, sendo ajudada por duas amigas.

 

Casos recorrentes

Em novembro de 2012, um caso semelhante aconteceu também em Ribeirão Pires: um trem que também ia sentido Rio Grande da Serra, parou após pane elétrica e início de incêndio.

Em dezembro do ano passado, outro caso parecido aconteceu na estação de São Caetano, que também integra a Linha Turquesa, da qual Ribeirão Pires faz parte.

De acordo com Kamila Shlihting, que acompanhou um dos acidentes, em dezembro do ano passado, ela embarcou na estação Tamanduateí. Logo que adentrou no veículo, percebeu um cheiro muito forte de plástico queimado. Ao chegar na estação São Caetano, os passageiros foram obrigados a descer da locomotiva, pois havia um princípio de incêndio também no sistema de refrigeração.