Filha afirma que cumpriu todas as exigências da administração para solicitar a exumação, mas encontrou outra pessoa sepultada no jazigo do pai.

Foto: Arquivo pessoal
Uma moradora de Ribeirão Pires procurou o Diário de Ribeirão Pires para denunciar o desaparecimento dos restos mortais de seu pai, Antônio de Paula Lopes, que faleceu aos 73 anos em 15 de maio de 2021 e foi sepultado no Cemitério Municipal São José no dia 16 de maio de 2021.
Segundo a filha, ela foi orientada pela administração do cemitério de que deveria protocolar o pedido de exumação antes de completar cinco anos do sepultamento. Seguindo essa orientação, apresentou toda a documentação exigida e protocolou o requerimento em 9 de março de 2026, dentro do prazo estabelecido.
A situação mudou após o falecimento de sua mãe, em 9 de julho deste ano. Na ocasião, ela aproveitou para perguntar sobre o andamento do pedido de exumação e, de acordo com seu relato, foi informada de que o procedimento estava demorando, mas que não havia motivo para preocupação.
Entretanto, no dia 21 de julho, ao retornar ao Cemitério São José para tratar do sepultamento da mãe, decidiu visitar o jazigo onde seu pai estava sepultado. Para sua surpresa, encontrou outra pessoa enterrada no local.
Ao buscar esclarecimentos, a moradora afirma ter sido informada de que os restos mortais de Antônio de Paula Lopes já haviam sido exumados. No entanto, segundo ela, nenhum funcionário soube informar quando o procedimento foi realizado, quem o autorizou ou qual foi o destino dado aos restos mortais.
Ainda de acordo com a filha, o diretor do cemitério, identificado como Tadeu, pediu que ela retornasse em outra data para que pudesse verificar o ocorrido. Dois dias depois, ela voltou ao local e aguardou por cerca de uma hora e meia, mas afirma que o diretor não compareceu para prestar esclarecimentos.
A família sustenta que cumpriu todas as exigências da administração do cemitério, entregou a documentação solicitada e respeitou todos os prazos estabelecidos. Apesar disso, afirma que, até o momento, não recebeu qualquer informação oficial sobre o paradeiro dos restos mortais de Antônio de Paula Lopes.
Durante a apuração, o Diário de Ribeirão Pires obteve informações de que o problema teria ocorrido por uma falha administrativa. Segundo as informações levantadas pela reportagem, o nome de Antônio de Paula Lopes e a documentação referente ao pedido de exumação não teriam sido incluídos na relação utilizada pela administração do cemitério, o que teria resultado na realização da exumação sem que os familiares fossem previamente comunicados.
Diante da situação, a família registrou um boletim de ocorrência e pede que os fatos sejam esclarecidos.
Emocionada, a filha desabafou sobre o ocorrido.
“Não são um monte de ossos. São os restos mortais do meu pai, e nós merecemos respeito neste momento. Quero que essa situação seja resolvida. Quero encontrar os restos mortais do meu pai para colocá-los na gaveta funerária, como era o desejo dele. Iniciei todo o processo dentro do prazo, exatamente como fui orientada pela própria administração do cemitério. Cumpri todas as exigências e entreguei toda a documentação solicitada. Agora, só quero uma resposta e que meu pai seja tratado com a dignidade e o respeito que merece.”
O Diário de Ribeirão Pires encaminhou questionamentos à Prefeitura de Ribeirão Pires solicitando esclarecimentos sobre o caso, incluindo informações sobre a exumação, o paradeiro dos restos mortais e as providências que serão adotadas. Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura não havia se manifestado.


