Afastado por determinação judicial, o servidor entregou o cargo nesta semana; processo administrativo e ações penais seguem em curso e podem resultar em demissão e proibição de retorno ao funcionalismo

Uma carta manuscrita, supostamente escrita pelo auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, é tratada pelos investigadores do Ministério Público como uma espécie de confissão sobre um esquema de propinas que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão. Foto: Reprodução O Globo
A Secretaria da Fazenda do Estado confirmou a exoneração do auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, de Ribeirão Pires, preso na Operação Ícaro sob suspeita de chefiar um esquema de corrupção que, segundo o Ministério Público, teria movimentado mais de R$ 1 bilhão. A saída do cargo, a pedido de Artur, foi formalizada por portaria publicada no Diário Oficial do Estado, após o servidor já estar afastado das funções por ordem judicial.
O auditor havia solicitado o desligamento definitivo do cargo no início da semana. Apesar da exoneração a pedido ter sido atendida, ele continua sujeito a um processo administrativo disciplinar instaurado pela Corregedoria da Fazenda. Dependendo do desfecho desse procedimento, a exoneração pode ser convertida em demissão – com consequências adicionais, como a vedação de reintegração ao serviço público –, além de outras penalidades.
A defesa de Silva Neto apresentou à Justiça o pedido de exoneração como argumento para pleitear a revogação da prisão, sustentando que, com o desligamento definitivo, o cliente não representaria risco de obstrução às investigações. Os advogados anexaram ainda um laudo médico que atesta diagnóstico de depressão. Em contrapartida, o Ministério Público tem pedido a manutenção da prisão preventiva, alegando risco de destruição ou ocultação de provas e de combinação de versões entre os investigados caso o réu seja posto em liberdade.


