Marília de Andrade, única filha mulher do escritor Oswald de Andrade, faleceu nesta sexta-feira (24), aos 79 anos. Com uma vida dedicada à arte e à preservação do legado do pai, sua relação com Ribeirão Pires marcou sua trajetória.
Marília de Andrade, psicóloga social, coreógrafa, dançarina e pesquisadora, tinha forte ligação com Ribeirão Pires, onde passou a infância no Sítio Boa Sorte, local preservado e tombado pelo município. Em 2018, durante visita ao espaço, ela relembrou com emoção os momentos vividos na propriedade, considerada por Oswald de Andrade um “éden”.
“O sítio era o lugar de convívio familiar e inspiração criativa do meu pai. Ele adorava Ribeirão Pires pelo clima e pela tranquilidade. Passávamos férias e fins de semana longos ali. Tenho lembranças dele sentado ao lado da lareira, lendo e trabalhando”, relatou Marília na ocasião.
Além de servir como lar, o Sítio Boa Sorte foi palco de encontros culturais e da produção de obras como Um Homem Sem Profissão (1954), uma das últimas escritas por Oswald de Andrade. Marília, que tinha apenas 9 anos quando o pai faleceu, carregou consigo o compromisso de preservar a memória e a obra do escritor.
Em 2018, durante sua visita ao sítio, Marília presenteou Ribeirão Pires com a obra completa de Oswald de Andrade, gesto que, segundo o então diretor de patrimônio, Marcílio Duarte, demonstrou sua generosidade e amor pela história da família. “Ela dizia que sua missão era proteger a obra do pai, e acredito que cumpriu isso lindamente”, destacou o historiador.
A notícia da morte foi confirmada por Lira Neto, jornalista e biógrafo de Oswald de Andrade. Ele destacou a generosidade de Marília durante a produção da biografia, lamentando que ela não tenha tido a oportunidade de ver o livro concluído.


