Encerrando nosso Especial do Dia Internacional das Mulheres, entrevistamos também uma das responsáveis por manter a Delegacia de Ribeirão Pires sempre limpa e organizada, que contou sua história de vida e superação ao DiárioRP.
Maria José Ribeiro dos Santos, mais conhecida como MaZé, de 55 anos, trabalha na parte da limpeza há cinco anos. Ela reside em Mauá e levanta todos os dias às 4h20 da madrugada para estar às 6h na Delegacia e iniciar seu trabalho.
Ela relatou que é uma luta diária, pois tem dois filhos, um de 16 anos que estuda à noite e ela espera pela sua chegada todos os dias, e um de 22 anos, que tem um grau elevado de autismo e precisa de cuidados especiais. MaZé relata que durante a manhã, seu esposo cuida de seu filho mais velho e à noite ela fica com ele, pois ele sofre episódios de convulsões e toma insulina, devido a diabetes.
“A gente já tentou arrumar alguém, mas quando falamos que ele é especial e precisa aplicar a insulina, as pessoas querem cobrar mais caro, mas com meu salário e o dinheiro que meu marido ganha fazendo alguns bicos, não tem como pagar a mais, aí acabamos nos revezando para tomar conta dele (…). Infelizmente ele não recebe nenhum benefício” relata.
Maria contou que a parte mais delicada de seu serviço é limpar a carceragem, chegando a sofrer crises de ansiedade no início, mas que hoje em dia ela tenta levar da melhor maneira. “No começo eu me sentia mal pela energia, mas me convenci de que eu precisava fazer aquilo, pelo meu serviço… Você precisa enfrentar, não tem jeito. Às vezes eles fazem muita bagunça, mas sempre tive apoio da equipe e fui realizando meu trabalho da melhor maneira”
“Eu aprendi a trabalhar desde cedo, nunca parei. Desde os 10 anos eu trabalhava na feira, se não nem comia. De oito irmãos, para quem mais pesou foi para mim, mas peço a Deus para me abençoar e me manter sempre forte, pois não é fácil. Todos os dias é uma jornada, eu caminho todos os dias 30 minutos até a Estação de Mauá. Como mãe e mulher, a gente acaba não vivendo, mas me vou me mantendo” desabafou Maria José.
Contudo, MaZé relatou que sempre foi muito bem tratada e desde sua chegada, respeitada e acolhida pela equipe. “Sempre me respeitaram e até hoje me ajudam, até para buscar a insulina do meu filho eu recebo apoio, entendem minha necessidade. Só tenho a agradecer” finalizou.


