O Especial Dia das Mulheres continuou a conversa com as mulheres que atuam na Delegacia de Ribeirão Pires sobre suas funções, também destacando a importância da participação feminina nestes cargos e o acolhimento da equipe.
Para elas, um maior interesse das mulheres em participar de concursos e entrar para a área de segurança seria algo positivo e significante, até mesmo para desmistificar a imagem que existe.
Para Lidiane, de 41 anos, que atua há 19 anos na parte administrativa, o aumento de mulheres ajudaria na inibição dos casos de violência contra a mulher, uma vez que a atuação seria mais rápida e realizada com uma maior sensibilidade. “Houve um aumento, principalmente em Rio Grande da Serra, sobre casos de crimes contra as mulheres. Atualmente, devido a um apoio maior, as mulheres se sentem mais seguras para registrar as ocorrências, principalmente por serem acolhidas por outras mulheres”, afirmou.
A Escrivã Elisângela, de 45 anos, atua há 7 anos na Delegacia e também relatou uma maior segurança por parte das mulheres que são vítimas em relatar o caso para uma outra mulher, apesar da situação. “Elas se sentem mais seguras, de certo modo, em relatar para outra mulher. Com o tempo ela começa a pegar uma maior confiança… Como somos uma abordagem mais profunda, conseguimos estancar o sangue daquela ferida ali, no momento do atendimento, demonstrando um acolhimento” disse.
“Seria ótimo se tivesse mais mulheres atuando nas funções. Ás vezes saímos daqui carregadas e com um acumulo de coisas. Chegamos em casa e estamos cansadas devido a alguma demanda do dia a dia, um caso mais específico… Então ter mais mulheres e poder dividir um pouco essas questões seria importante para nós também” reforçou Elisângela.
Questionamos também sobre as dificuldades que elas já enfrentaram em algum momento por serem mulheres. Elas relatam que nunca se sentiram desrespeitadas no ambiente de trabalho e que tem muito apoio da equipe.
Para Tânia, que atua como Escrivã há 22 anos, viu sua vida mudar aos 40 anos, quando entrou para a Polícia Civil. Ela relatou que nunca sofreu nenhum tipo de desrespeito de seus colegas. Atualmente, ela está à frente dos inquéritos realizando a segunda etapa. “As mulheres poderiam se dispor mais a participar dos concursos. Apesar da complexidade em alguns momentos, é gratificante ajudar as pessoas e ser reconhecida por isso também” afirmou.
Todas elas afirmam que nunca sofreram desrespeito por parte dos colegas da equipe e que são todos unidos. A Agente de Telecomunicações Eliana, que atua há 25 anos na Polícia Civil, relatou que em diversos momentos já recebeu ajuda de seus colegas por ser mãe solo. “Meus colegas de trabalho sempre me ajudaram com essa questão. Já tiveram ocasiões de emergência que eu precisei sair ou que alguém da equipe me ajudou, até para dar remédio, então eu sinto que é um ambiente de muito respeito e acolhimento” contou ao DiárioRP.
Viviane Bordin, que atualmente tem 47 anos e trabalha há 30 anos na Delegacia, realiza o primeiro atendimento da ocorrência e também afirmou que a paciência e o olhar mais sensível de uma mulher para com outra torna o atendimento mais humano e transmite uma maior segurança, principalmente em casos de violência doméstica ou envolvendo crianças. “Alguns casos realmente nos deixa abaladas, mas tentamos manter o profissionalismo e vamos tocando” disse.


