Cerca de 50 trabalhadoras das escolas estaduais protestaram em frente à Unidade Regional de Ensino de Mauá; funcionárias denunciam atrasos em pagamentos, benefícios e falta de materiais de trabalho.

Manifestação das merendeiras em greve, em frente à Delegacia de Ensino de Mauá. Foto: Divulgação
Cerca de 50 merendeiras que trabalham em escolas estaduais de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (19), em frente à Unidade Regional de Ensino (URE) de Mauá. As trabalhadoras reivindicam a regularização de salários e benefícios, além do fornecimento de materiais necessários para o trabalho. Insatisfeitas com problemas que, segundo elas, se arrastam desde o ano passado, as funcionárias decidiram entrar em greve. A reportagem é do jornalista George Garcia do Repórter Diário.
Uma das merendeiras afirmou que decidiu aderir à greve por não suportar mais a situação. “O aviso de greve foi feito na semana passada. Eu fui trabalhar acreditando que iam pagar, não pagaram e voltei para casa. A gente não aguenta mais essa situação. Como fica a minha vida pessoal, como ficam as contas e o meu cartão de crédito?”, questionou.
A trabalhadora também relatou problemas com o fornecimento de materiais de limpeza. “Tem quatro meses que essa empresa entrega material de limpeza aos poucos. Já brigamos por não nos pagarem as férias, por falta de saco de lixo, de detergente. Agora são os salários que estão atrasando. A gente não acredita mais na CML”, afirmou.
Outra merendeira disse que recebeu o salário com dez dias de atraso e que enfrentou dificuldades financeiras. Segundo ela, a renda do marido e dos filhos foi fundamental para manter as despesas da casa. A trabalhadora também demonstrou preocupação com colegas que não contam com outra fonte de renda.
“Eu consegui apertar e pagar as contas, mas tenho colegas que são mães solo, que não têm outra fonte de renda. Por isso, a gente resolveu parar”, explicou.
Ela também denunciou que a empresa teria colocado outros trabalhadores para ocupar os postos de quem aderiu à greve. “Para nós não tem dinheiro, mas para contratar freelancer para ganhar R$ 150 por dia ela tem. Estão fazendo isso para desmobilizar o nosso movimento, mas não vão conseguir”, declarou.
Sindicato afirma que greve continuará
O presidente do Sindicato dos Empregados de Refeições Coletivas e Merenda Escolar no ABCDMR (Seerc ABC), Genivaldo Barbosa da Silva, afirmou que a paralisação ganhou força diante do aumento da insatisfação das trabalhadoras.
“Fizemos na semana passada o comunicado de greve na URE de Mauá e para a empresa, mas, como não houve nenhum posicionamento, agora a greve é oficial. As escolas estão sem merendeiras e o Estado está arrumando gente para pôr lá”, declarou.
Segundo o sindicalista, além dos salários, as trabalhadoras relatam atrasos em férias, recolhimentos ao INSS e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cesta básica e 13º salário.
“Enquanto não regularizar tudo, a greve vai continuar”, afirmou.
Após o protesto em Mauá, a previsão do sindicato era concentrar as trabalhadoras em Ribeirão Pires para realizar novos atos em escolas próximas ao Centro. A intenção, segundo Silva, é conversar com a população e explicar os motivos da paralisação. Entre os locais previstos está a Vila do Doce.
Seduc admite possibilidade de sanções
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou, por meio da URE de Mauá, que, conforme documentação apresentada pela prestadora de serviços, não há atrasos de salários e benefícios. A pasta também afirmou que, apesar da paralisação, todas as escolas foram atendidas pela empresa.
A Seduc-SP declarou que a CML já foi notificada duas vezes para cumprir as obrigações trabalhistas previstas no contrato e na legislação, além de apresentar comprovação documental da regularização dos problemas relatados.
A secretaria acrescentou que, caso haja nova notificação e as demandas não sejam atendidas, poderá aplicar sanções, incluindo a abertura de processo administrativo que pode resultar na rescisão do contrato.
A reportagem procurou a CML Alimentação para que a empresa se manifestasse sobre os atrasos e as denúncias das trabalhadoras, mas não recebeu resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.




