Sem detergente, merendeiras de escolas estaduais de RP lavam louça com sabonete

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Funcionárias afirmam que há três meses lavam utensílios com sabonete líquido por falta de detergente e relatam problemas com equipamentos de proteção e benefícios; sindicato confirma denúncias

Foto: Reprodução

Merendeiras de escolas estaduais de Ribeirão Pires denunciam a falta de materiais básicos para o trabalho, como detergente, álcool, esponjas, cloro, sacos para armazenamento e descarte, além de uniformes e equipamentos de proteção. Segundo as funcionárias ouvidas pela reportagem, os problemas ocorrem há cerca de três meses. A reportagem é da jornalista George Garcia do Repórter Diário.

Diante da falta de detergente, merendeiras relatam que estão utilizando sabonete líquido de erva-doce, fornecido pelas próprias unidades escolares, para lavar pratos, talheres, panelas e outros utensílios utilizados no preparo das refeições dos alunos.

A responsabilidade pelo fornecimento dos materiais é da CML Alimentação, empresa contratada pelo Governo do Estado para prestar o serviço de alimentação escolar. Procurada pela reportagem, a empresa não havia respondido até o fechamento desta matéria.

Uma funcionária, que pediu para não ser identificada, afirmou que a situação se estende por aproximadamente três meses.

“Isso é ruim porque não é o produto certo, deixa cheiro nos utensílios da cozinha. Além disso, também faltam álcool, cloro, sacos para embalar hortifruti e lixo. A gente trabalha sem uniforme, luvas e outros itens de proteção”, relatou.

Segundo a funcionária, além da falta de materiais, também existem problemas relacionados ao vale-transporte, vale-refeição e depósitos do FGTS. Ela afirma que alguns pagamentos de benefícios teriam ocorrido com atraso.

Funcionária recorreu à Justiça

Outra funcionária da CML, que deixou o trabalho diante das condições relatadas, afirma ter solicitado a rescisão indireta do contrato de trabalho.

Segundo ela, uma ação trabalhista foi julgada favoravelmente em março, mas, cinco meses depois, ainda não teria recebido os valores determinados pela Justiça nem conseguido a baixa na carteira de trabalho.

“Eu cansei daquela situação, era atraso de salário, faltava material de limpeza e a empresa ainda colocava dois funcionários para fazer o papel de quatro. Sofri humilhação, tanto que processei, ganhei e até agora não me pagaram nada”, afirmou.

Escolas relatam problemas semelhantes

Segundo as denúncias, entre as unidades que enfrentam os problemas estão escolas com período regular e também unidades que integram o Programa de Ensino Integral (PEI).

Entre elas estão a Escola Estadual Casemiro da Rocha, que atende cerca de 1,5 mil alunos, além das escolas Antonio de Pádua Godoy, Maria Pastana Menato, Judith Ferreira Piva, Senador Casemiro da Rocha, Professora Ruth Neves Sant Anna e Professor João Gaudêncio Mainine.

Em todas as unidades citadas, o serviço de alimentação escolar é prestado pela CML Alimentação.

Sindicato confirma denúncias

O Seerc ABC (Sindicato dos Empregados de Refeições Coletivas e Merenda Escolar no ABCDMR) confirmou as denúncias apresentadas pelas funcionárias.

O presidente da entidade, Genivaldo Barbosa da Silva, afirmou que problemas envolvendo a empresa não seriam recentes. Segundo ele, em janeiro, merendeiras chegaram a realizar um protesto em frente à URE (Unidade Regional de Ensino) de Mauá, responsável pelas escolas estaduais de Ribeirão Pires.

Após uma reunião com trabalhadores e sindicato, a empresa teria se comprometido a regularizar pagamentos atrasados, segundo a entidade.

Silva também criticou a falta de materiais e uniformes e cobrou maior fiscalização por parte do Governo do Estado.

“A gente tenta conversar com a empresa e ela não dá retorno nenhum. Essa situação da falta de produtos de limpeza e de uniforme é antiga”, afirmou.

O sindicalista também demonstrou preocupação com o uso de produtos inadequados na limpeza dos utensílios utilizados na preparação das refeições.

Segundo ele, o sindicato pretende encaminhar um ofício à URE de Mauá. Caso os problemas continuem, a entidade avalia iniciar uma mobilização da categoria, que pode incluir uma paralisação de advertência ou até uma greve.

Ainda de acordo com o presidente do sindicato, as trabalhadoras recebem aproximadamente R$ 2 mil e enfrentariam atrasos em salários e benefícios, além de problemas relacionados aos depósitos de FGTS e INSS.

Empresa é procurada

O jornal entrou em contato com a CML Alimentação, por meio do e-mail institucional da empresa, para solicitar esclarecimentos sobre as denúncias apresentadas pelas merendeiras, incluindo a falta de materiais, uniformes, equipamentos de proteção e possíveis atrasos em benefícios.

Até o fechamento desta reportagem, a empresa não havia enviado resposta.

O espaço permanece aberto para manifestação da CML Alimentação e a reportagem será atualizada caso a empresa encaminhe um posicionamento.

Secretaria de Educação nega queixas formalizadas

Em nota, a Secretaria de Educação afirmou que não recebeu reclamações formalizadas sobre a falta de materiais nas escolas citadas.

“A URE (Unidade Regional de Ensino) de Mauá esclarece que não foram formalizadas ocorrências de falta de insumos para a execução dos serviços nas escolas citadas pela reportagem. No acompanhamento realizado, a empresa terceirizada tem apresentado os comprovantes necessários para comprovação do fornecimento dos insumos previstos contratualmente. A URE de Mauá e as unidades permanecem à disposição da comunidade escolar para esclarecimentos”, informou a pasta.