Com ameaças de “atira na cabeça dele”, encapuzados espancaram conselheiro de meio ambiente em Rio Grande da Serra; entidades apontam tentativa de silenciamento.

Foto: Arquivo pessoal
O ambientalista José Soares da Silva, morador de Ribeirão Pires e vice-presidente do Movimento em Defesa da Vida do Grande ABC (MDV-ABC), foi alvo de uma violenta agressão na tarde do último dia 8 de junho, o ambientalista conversou com o DiárioRP. O ataque aconteceu na Estrada Flávio Humberto Rebizzi, em Rio Grande da Serra, enquanto o militante fotografava uma área ligada às obras de interligação entre a represa Billings e o Sistema Alto Tietê — empreendimento da Sabesp orçado em R$ 1,4 bilhão e que conta com recomendação de paralisação por parte do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Estrada Flávio Humberto Rebizzi onde Soares foi agredido. Foto: José soares
De acordo com informações do ambientalista, ele caminhava sozinho coletando imagens para subsidiar o inquérito civil do MPSP quando foi abordado por dois homens encapuzados. Um dos agressores tomou seu celular e iniciou o espancamento, concentrando os golpes no rosto e na boca da vítima. Soares relatou ter ouvido ameaças de morte e menções de que seria levado para a mata.
“O cara veio batendo, batendo e xingando. Uma hora ele falou: ‘Atira na cabeça dele aqui mesmo’”, relatou o ambientalista.
Ele conseguiu se desvencilhar e buscou socorro na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Rio Grande da Serra, onde precisou receber pontos na boca.
Embora os criminosos tenham levado o celular, documentos e cartões, Soares e entidades locais não acreditam em motivação patrimonial. Para o militante, o ato funcionou como uma tentativa de silenciamento. O local do crime vinha sendo monitorado por ele desde 2012 para denunciar passivos ambientais e o descarte irregular de resíduos na entrada do município. As fotos tinham como objetivo apresentar à promotoria detalhes geográficos e impactos que, segundo ele, deveriam ser considerados no licenciamento ambiental da adutora.
O caso foi registrado eletronicamente e encaminhado para a Delegacia de Polícia de Rio Grande da Serra, que ficará responsável pelas investigações. A Polícia Civil já requisitou o exame de corpo de delito.
Em nota oficial, a Frente Ambientalista do ABCDMRR repudiou o ataque, classificando-o como uma tentativa de intimidação contra o movimento socioambiental da região, e cobrou rigorosa apuração das autoridades.


