Paciente autista pede socorro, após ser mal atendico em UBS

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Bruno Alves, de 38 anos, usou a Tribuna Livre nesta quinta-feira (5) para relatar negligência em UBS; denúncia cita descaso de médicas e diretoria.

Foto: Diário de Ribeirão Pires

Na última quinta-feira (5), aconteceu a primeira sessão ordinária da Câmara Municipal de Ribeirão Pires. A reunião foi marcada por um forte depoimento que silenciou o plenário. Bruno Alves, de 38 anos, utilizou a Tribuna Livre para denunciar falhas graves no atendimento de saúde da cidade. Portador de epilepsia, autismo infantil, deficiência intelectual, fibromialgia e outras condições crônicas, ele relatou ter sido alvo de discriminação e mau atendimento por parte de profissionais de saúde da rede municipal.

Bruno, que realizou tratamento na UBS Central, explicou que, embora tenha sido bem acolhido no início, passou a enfrentar barreiras após ser orientado por uma médica a “ser breve” nas consultas, sob a justificativa de que a prioridade seriam os idosos. O paciente, que possui sensibilidade a toques e barulhos, relatou que após esse episódio enfrentou uma espera de seis meses para conseguir um novo agendamento, realizado apenas depois de solicitar a ajuda de um funcionário do Legislativo.

Em sua fala emocionada, Bruno destacou o atendimento da Dra. Zoe, que também teria pedido pressa na consulta devido ao volume de pacientes, e criticou a postura da diretoria da unidade. Segundo ele, a diretora Edna teria afirmado que o tratamento dele não deveria ser feito na UBS, encaminhando-o ao CAPS, e o teria tratado com rispidez. “Se ouvirem o que a diretora falou, todos ficariam chocados. Eu só quero me tratar”, desabafou.

O munícipe, que faz uso terapêutico de canabidiol e apresentou melhoras com a medicação, reforçou que suas patologias exigem cuidados específicos que vão além da saúde mental, não sendo integralmente supridas pelo CAPS. Ele relatou ainda situações constrangedoras que viveu ao buscar socorro médico na capital paulista por falta de suporte local.

A fala terminou com um apelo pela vida e por mais delicadeza no trato com pessoas neurodivergentes. “Não quero morrer, quero viver, não quero ficar em uma cadeira de rodas. Estou aqui por mim e por outros que não podem falar”, afirmou Bruno, visivelmente abalado. Ele defendeu a necessidade de médicos especializados e de um fluxo de atendimento que respeite as limitações de quem possui comandos neurológicos diferenciados.
Após depoimento impactante do munícipe, vereadores decidem montar uma comissão para visitar a UBS Central e Secretaria de Saúde para garantir continuidade do tratamento de Bruno Alves.