Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Domingo é o dia em que mais se registram mortes provocadas por acidentes de trânsito na região. Levantamento divulgado ontem pelo governo estadual, por meio do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo), mostra que um a cada três óbitos ocorridos no sistema viário do Grande ABC foram nesta data.

A análise, que tem como base ocorrências registradas em julho, mostra que quatro das 14 mortes contabilizadas no mês passado ocorreram no domingo.

O levantamento aponta ainda que os acidentes, em sua maioria, ocorrem no período noturno (entre 18h e 24h). Ao todo, cinco ocorrências registradas no mês passado possuem este perfil.

Segundo o especialista Paulo Bacaltchuck, professor de Mobilidade Urbana da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a combinação desses dois indicadores aponta cenário cada vez mais comum na região. “Ao analisar os dados, fica evidente que motoristas seguem insistindo na combinação errada de álcool e direção perigosa”, avalia.

No último domingo, por exemplo, um rapaz de 26 anos morreu, após colidir o seu veículo contra um trólebus, na Avenida Pereira Barreto, em Santo André. As causas do acidente ainda estão sendo investigadas.

“Os motoristas acabam aproveitando da fragilidade da fiscalização para cometer esses abusos. Há indícios da diminuição do policiamento nesses dias, justamente, pela frota de veículos em circulação aos fins de semana ser menor do que em dia comum”, explica Bacaltchuck.

De acordo com a base de dados do Infosiga, embora a região tenha diminuído em 30% o índice de mortes em julho, em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 20 vítimas fatais, pedestres e motociclistas seguem sendo as principais vítimas no sistema viário. Das vítimas fatais, dez eram homens, o que representa 71,4% dos óbitos.

Atualmente, quatro municípios da região (Santo André, São Bernardo, Mauá e Ribeirão Pires) possuem convênio com o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito para custeio de ações voltadas à temática.

No entanto, para o especialista, a problemática deve ser vista com mais cuidado. “Não basta investir em campanhas. É preciso que governantes elaborem um plano a longo prazo visando a redução dos indicadores e coloque isso em prática”, destaca.

Créditos: Diário do Grande ABC