Um dos indivíduos ficou um período escondido em uma clínica de reabilitação em Ribeirão Pires

O Tribunal do Júri de Araraquara condenou nesta terça-feira (7) , após quase 14 horas de audiência, a mulher que passou a ser conhecida entre os policiais como viúva-negra em alusão a aranha que mata seu macho e mais dois homens contratados por ela para que assassinassem o seu ex-marido, em uma emboscada na Rua Maestro José Tescari, esquina com a Avenida Armando Biagioni, na Vila Xavier, no dia 2 de novembro de 2015.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, a mulher conviveu com a vítima por 13 anos, relacionamento do qual nasceram duas filhas. A convivência acabou e o pintor estava com outra pessoa, inclusive, já morava junto há três meses com a futura esposa e estava feliz com a proximidade da data da cerimônia que aconteceria 40 dias antes do crime. Não contente, a ex-mulher encomendou a sua morte. Ela perguntou a um colega, se ele conhecia alguém capaz de matar o pintor.

Eles negociaram a morte por R$ 1 mil. Um dos sujeitos contratou um colega, que aceitou o serviço de pistoleiro em plena Araraquara. Armado, eles montaram uma emboscada. A mulher ligou para o ex-marido pedindo o encontro para o pagamento da pensão alimentícia. Quando ele apareceu de moto: foi baleado quatro vezes pelas costas. No dia do crime, o homem que fez o meio de campo, foi tão frio que ficou ali e chegou a ser qualificado pela polícia como testemunha e mentindo ter visto um homem de boné disparar e fugir de bicicleta.

As prisões foram feitas na sequencia. Ainda em novembro de 2015, a ex-mulher e o atirador foram presos. E admitiram o assassinato encomendado com requintes de crueldade. Em junho de 2016, um dos indivíduos foi encontrado escondido em uma clínica de reabilitação em Ribeirão Pires. No plenário, a defesa negou a autoria dos disparos. O homem negou ter intermediado a contratação do executor ou permanecido nas proximidades para dar apoio. A mulher pediu o reconhecimento do homicídio simples.

Os jurados reconheceram que todos os réus concorreram para o crime, com dissimulação e emboscada. Reconheceram a promessa de recompensa. A viúva-negra ainda teve reconhecida a qualificadora do motivo torpe, vingança pelos desentendimentos com a vítima após o rompimento do relacionamento.

A vítima desse plano maquiavélico, José Euclides da Silva morreu quando estava noivo e com casamento marcado. “Tem amor que parece que nasceu para durar uma vida inteira, tipo o meu por você.” Essa foi a última frase que enviou à noiva, na época. Natural de Américo Brasiliense, ele tinha cinco filhos, não fumava, não bebia e era uma pessoa de bem, considerado um homem de família, segundo os familiares.