Polícia Federal investiga Ribeirão Pires por fraude na merenda

A Operação Prato Feito, que levou a prisão do atual prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB) também investiga Ribeirão Pires. De acordo com gravações realizadas pela Polícia federal, Júnior Orosco, atualmente no PDT, e na época, coordenador regional do MDB seria o responsável por negociar em nome da prefeitura, os valores referentes ao pagamento de propina para as empresas que realizavam o fornecimento de alimentos para a merenda das escolas públicas. As gravações se referem ao ano de 2016, quando Saulo Benevides era prefeito da cidade.

Continua após a publicidade.

No relatório, que tem mais de 300 páginas com a denúncia, está anexa uma gravação feita pela polícia com os empresários Valdomiro Francisco Coan, Fábio Favaretto e Carlos Zeli Carvalho. Na conversa, os empresários reclamam que a propina paga aos políticos de Ribeirão Pires, seria cara:

Fábio Favaretto: “Aqui na região de SP vocês fornecem pra quem?”
Carlos Zeli Carvalho: “Aqui nós trabalhamos em Guararema, Suzano, Ferraz de Vasconcelos… litoral, Cubatão, Praia
Grande…”
Fábio Favaretto: “Ixe, Cubatão, Itapecerica tá pagando? Cubatão é horrível, né? Caro…?”
Carlos Zeli Carvalho: “É caro.”
Fábio Favaretto: “Igual Ribeirão Pires né? 30%.”
Carlos Zeli Carvalho: “É 20.”
Fábio Favaretto: “20? Po, é caro né.”

A prefeitura de Ribeirão Pires informou através de nota que teve acesso ao documento do Ministério Público Federal por meio da imprensa e que as informações que constam na gravação em questão são de julho de 2016 e, portanto, não se referem à atual gestão.

Ainda na nota, a Prefeitura informou que, em relação a contratos com empresas citadas na operação deflagrada pela Polícia Federal, possui vigente apenas ata de registro de preço com a Quality Medical Comércio e Distribuidora de Medicamentos LTDA para o atendimento de demandas específicas, quando há a necessidade. Informou também que segue todas as orientações do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e está à disposição para contribuir e prestar quaisquer esclarecimentos que sejam necessários.

Procurado por nossa equipe, o ex prefeito de Ribeirão Pires, Saulo Benevides (PMDB), se limitou a dizer que “Isso é uma mentira uma grande bobagem que citam a cidade”. Júnior Orosco não respondeu nossos contatos até a publicação desta matéria.

Atualização – 16h30

Após a publicação da matéria, o ex-prefeito de Ribeirão Pires, Saulo Benevides entrou em contato conosco e enviou uma nota sobre o caso. Veja a nota na íntegra abaixo:

“O ex-prefeito de Ribeirão Pires, Saulo Benevides, nega qualquer envolvimento com empresas ligadas à Máfia da Merenda e declara desconhecer qualquer investigação da Polícia Federal sobre seu governo à frente da Prefeitura de Ribeirão Pires.
Saulo ainda esclarece:
Durante os anos de 2013 e 2016 nunca celebrou contrato público para fornecimento de merenda escolar entre a Prefeitura de Ribeirão Pires e a empresa citada na reportagem do jornal Diário de Ribeirão Pires. Esclarece ainda que a citação sobre o município, registrado em áudio da PF se remete a despesas realizadas antes de sua gestão e que nunca foram pagas por seu governo.
Saulo reforça que as informações precisam ser melhores apuradas antes de apresentadas sem contexto e que os dados de pagamento à empresa podem ser consultados e comprovados por meio do Portal de Transparência da Prefeitura.”