Foto: Rafael Ventura / DiárioRP.
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Professores da rede municipal de ensino protestaram, ontem (17), no centro da cidade. O protesto foi organizado em dois turnos, contrapondo o horário de trabalho de cada um dos professores.

Pela manhã, os manifestantes caminharam pelo centro da cidade até o Paço Municipal. Já no período vespertino, caminharam até a Câmara Municipal.

No Paço, os professores foram recebidos por um assessor da Prefeitura, que mediou a conversa e prometeu marcar reunião com o prefeito Saulo Benevides (PMDB) e representantes do grupo para a próxima sexta-feira (25).

Foto: Rafael Ventura / DiárioRP.
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Já na Câmara Municipal, insatisfeitos com as brincadeiras feitas pelo vereador Rubens Fernandes da Silva, o Rubão (PMDB), os protestantes chamaram pelo vereador para entregar pacotes de feijão, mas ele não estava presente. O grupo foi recebido por vereadores, que se comprometeram a fazer um requerimento para o prefeito Saulo com suas demandas.

Entre as demandas, os professores exigem que o piso salarial nacional seja respeitado, assim como o plano de carreira, e pagamento único da verba retroativa. Além disso, pedem o respeito da carga horária, já que – segundo eles – chegam a trabalhar cerca de 50 minutos a mais por dia. Também pedem materiais básicos como lenços umedecidos e luvas de látex, que são necessárias para a higienização das crianças na creche, e que estariam sendo comprados pelos próprios educadores:

Foto: Rafael Ventura / DiárioRP.
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“Nós temos o pior salário do ABC, e, além de tudo, trabalhamos mais. Em São Caetano e Santo André, a prefeitura paga até pós para os professores. Aqui, nem material de higiene nós temos!”

– declarou Juliana Oliveira.

Outra reclamação dos professores é a não representatividade do sindicato da categoria. Eles denunciam que não há apoio por parte do ente, e que, muitas vezes, acordos políticos beneficiam apenas uma minoria.

Foto: Rafael Ventura / DiárioRP.
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Perla de Freitas, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Educação Municipal (SINEDUC), órgão que deveria representar os professores da rede municipal, alega que o protesto foi de caráter político, e não reivindicatório. Perla também acusou o protesto do grupo de não representar a classe, já que um dos manifestantes não seria professor.

A reportagem do Diário, porém, apurou que o indivíduo indicado pela presidente do SINEDUC era Luis Rodrigues Castro, professor de Marcenaria do Centro de Formação Profissionalizante Professor Paulo Freire, quem denunciou irregularidades há um mês. Segundo informações, por uma questão burocrática, a escola Paulo Freire faz parte da Secretaria de Desenvolvimento Social, e não da de Educação.

Visivelmente alterada, Perla de Freitas chegou a ir algumas vezes, em tom de ameaça, para cima dos professores que protestavam.

 

Cesta básica

Foto: Rafael Ventura / DiárioRP.
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Os professores também denunciam suposto superfaturamento na cesta básica. O atual benefício concedido aos servidores custa R$108,00, mas os produtos da cesta são encontrados em lojas populares, conhecidas como “lojas de um real” por R$0,99.

Outro ponto é que as cestas básicas em redes de super mercados da região, com marcas de renome e qualidade superior, custam, em média, R$75,00. Os vereadores prometeram investigar a denúncia.

Confira o vídeo que mostra momentos do protesto de ontem e parte da briga com a presidente do sindicato: