Por Osvaldo de Brito.

Os professores da rede estadual estão em greve desde o dia 13 de março. Em assembleia realizada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) na última segunda, dia 30/03, optou-se pela continuidade da greve.

Grevistas distribuem panfletos sobre a paralisação. Foto: Rafael Ventura/DiárioRP
Grevistas distribuem panfletos sobre a paralisação (foto: Rafael Ventura/DiárioRP).

Na região, a Diretoria de Ensino de Mauá é responsável por 104 escolas – de acordo com dados disponíveis no site da Diretoria, sendo cerca de 40 escolas em Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. O professor de matemática José Alberto Gomes, 58 anos, é coordenador da subsede da APEOESP que abrange as duas cidades. Segundo ele, a adesão ao movimento tem aumentado, e 20% do professores estão em greve:

“Temos escolas paralisadas parcialmente: algumas não têm aulas no período da manhã, outras, no período da tarde. Mas também há escolas totalmente paradas.”.

Sindicato e governo divergem sobre os números da greve. O último informativo da APEOESP aponta que 60% dos professores de toda a rede estão em greve. Em nota, a Secretaria de Estado da Educação informa que, ao longo da semana passada, 92% dos profissionais compareceram às escolas. Esse número representaria 8% do total de professores da rede.

Dentre os itens da pauta de reivindicações, destacam-se a reposição salarial e a redução do número de alunos por sala.

“Quando o governo divulga a informação que queremos 75% de aumento, ele quer se transferir a culpa para o professor. O pai vai ler isso, e claro que não vai concordar, porque ele não vai ter esse aumento nem em dois, três anos. O que queremos é uma equiparação salarial. Os demais profissionais que possuem ensino superior recebem em média R$ 4.247,48, enquanto um professor que também tem ensino superior recebe R$ 2.422,55 por 40 horas semanais.”

– explicou o coordenador.

Em relação ao número de alunos por sala, Gomes relata que, neste ano, foram fechadas mais de 90 salas de aula na região; e há casos de classes com 45, 50 ou até mais alunos. Como isso refletiria na qualidade do ensino, o Sindicato re

ivindica que as turmas tenham, no máximo, 25 estudantes por sala de aula.

 

Apoio e repúdio
Na sessão da Câmara dos Vereadores de Ribeirão, em 25/03, um grupo de professores pediu o apoio do Legislativo. O coordenador da subsede da APEOESP e o ex-vereador Teté falaram no plenário durante cinco minutos cada um. Reiteraram as razões da paralisação e o compromisso com a escola pública de qualidade. Na ocasião, foi solicitado aos vereadores que aprovassem moção de apoio ao movimento, e moção de repúdio às atitudes do governador Geraldo Alckmin (PSDB). As moções foram aprovadas por unanimidade.

 

Atos públicos
Hoje, os grevistas voltaram às ruas da região. Pela manhã, munidos de um caminhão de som e amplificadores portáteis, distribuíram folhetos explicativos para os munícipes que passavam pela praça central. No período da tarde, eles se reuniram em frente à Delegacia de Ensino regional, em Mauá.