Por Rafael Ventura.
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Estrutura é de 1971 (Foto: Rafael Ventura / DiárioRP)

Quem precisar de algum atendimento e depende do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) do município, poderá notar que a situação do local está crítica. As dependências foram erguidas em 1971, e, até hoje, não houve nenhuma grande reforma.

O chão e as demais dependências encontram-se em condições completamente precárias, o que facilita a contaminação e, muitas vezes, leva à morte dos animais.

A situação é tão crítica, que, segundo denúncia, após uma semana, os animais começam a ter diarreia e passar mal por conta da contaminação:

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“Muitos começam a passar mal e alguns chegam a morrer.”

– confirma o denunciante, que preferiu manter o anonimato.

Desde sua criação, em 71, o prédio onde funciona o CCZ nunca teve uma obra de revitalização, apenas criação de mais canis.

Para a veterinária Maíra Nakata, o local não pode nem ao menos ser chamado de Centro de Zoonoses, pois não atinge os requisitos mínimos de estrutura e higiene:

“Os CCZs devem ter sala para atendimento clínico, centro cirúrgico, canis apropriados, como maternidade para filhotes, canil de quarentena para animais que acabaram de chegar, entre outros.”

Ainda segundo Nakata, os CCZs devem seguir as mesmas normas de higiene e limpeza instituídas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a que as clínicas particulares são obrigadas a seguir:

“Se a clínica particular não atende às regras, é multada. Os CCZs também devem segui-las. Não é chegar e sair dando vacina no chão!”

E vai além:

“Ali não pode ser considerado um CCZ, é um canil.”

– conclui a veterinária.

O vereador Renato Foresto, que também esteve no local, afirmou que, na sessão da próxima quarta-feira, protocolará documento exigindo respostas da Secretaria Municipal de Saúde:

“Além dos próprios animais que estão sobre risco, os funcionários também sofrem. São nítidas as péssimas condições de trabalho.”

– afirmou o vereador.

Desde agosto do último ano, há a promessa de que o local seja revitalizado. As obras até chegaram a começar, mas pararam e não há previsão de que sejam concluídas.

Denúncias recorrentes

As denúncias referentes ao abrigo canino são recorrentes. Logo no início da gestão do então prefeito, Saulo Benevides (PMDB), a apresentadora Luisa Mell denunciou que 34 animais foram eutanasiados ilegalmente pelo órgão. Além disso, funcionários foram gravados por uma moradora: no vídeo, eles afirmavam que faltava ração para dar aos animais e também lamentavam pelas péssimas estruturas do lugar.

Eutanásia proibida

Desde 2006, a Lei Estadual nº 12.916 proíbe a eutanásia em animais saudáveis em todo o estado de São Paulo. A eutanásia, porém, ainda é permitida em animais com doenças graves ou incuráveis. Anteriormente à lei, cada cidade tinha as suas regras. Na capital, por exemplo, um animal sem identificação ficava três dias no corredor da morte do CCZ; aquele com registro ficava cinco dias à espera do dono.

Mesmo após diversas tentativas de contato com a Prefeitura, para se obter esclarecimentos sobre a denúncia, nossas perguntas não foram respondidas pelo órgão municipal e, em nenhum momento, nossos contatos foram retornados.

Veja fotos abaixo: