Relatos recebidos pelo DiárioRP apontam suposta coação de funcionários da APRAESPI para votar em candidatos específicos, ameaças de demissão e reuniões políticas durante o expediente. Vereadora Fernanda Henrique (PT) apresentou moção de repúdio, rejeitada pelos parlamentares.

Denúncias envolvendo a candidata Lair Moura chegaram à Câmara Municipal de Ribeirão Pires. Os relatos foram recebidos pela vereadora Fernanda Henrique (PT) e, ao longo da semana, o Diário de Ribeirão Pires também recebeu denúncias de funcionários e ex-funcionários da Associação de Prevenção, Atendimento Especializado e Inclusão da Pessoa com Deficiência (APRAESPI), instituição da qual Lair Moura faz parte da diretoria.
Segundo os denunciantes, funcionários teriam sido pressionados a votar em candidatos indicados por Lair Moura. Os relatos apontam que trabalhadores que declarassem intenção de votar no PT teriam sido ameaçados de demissão. Uma funcionária, segundo as denúncias, teria sido desligada na terça-feira. Também há relatos de reuniões políticas durante o horário de trabalho e de funcionários que teriam sido insultados com palavras de baixo calão.
Diante das denúncias, a vereadora Fernanda Henrique apresentou uma moção de repúdio à postura atribuída à candidata. A proposta, no entanto, foi rejeitada pela Câmara.
A sessão foi marcada por tumulto, com a presença de integrantes da família Moura e funcionários da APRAESPI. Conforme apurado pelo DiárioRP, trabalhadores da instituição chegaram à Câmara em uma van da entidade e, segundo informações recebidas pela reportagem, estariam em horário de expediente.
Durante a sessão, Lair Moura e seu irmão, Marcos, além de funcionários presentes, teriam interrompido as manifestações da vereadora Fernanda Henrique e tentado se pronunciar sem autorização para uso da palavra. O presidente da Câmara conduziu os trabalhos conforme as regras da Casa, que estabelecem os procedimentos para solicitação e concessão de fala.
O vereador Anderson Benevides solicitou repetidamente a Marcos e Lair Moura que respeitassem o momento de fala da vereadora e evitassem tumultuar a sessão. No entanto, segundo o relato da reportagem, Lair e o irmão gritavam palavras de ordem e tentavam interromper a manifestação de Fernanda Henrique. Funcionários da APRAESPI presentes na Câmara também teriam vaiado a parlamentar.
Em determinado momento, Lair Moura deixou a sessão acompanhada de funcionários da instituição, alegando que havia sido impedida de falar. Pelas regras da Casa, porém, ela não tinha autorização para se manifestar naquele momento.
O vereador Diogo Manera abordou a transparência na aplicação de recursos públicos recebidos pela APRAESPI e afirmou que órgãos e entidades que recebem dinheiro público devem prestar contas à sociedade.
Já a vereadora Amanda Nabeshima declarou, durante sua fala na tribuna, que não tem nada contra a APRAESPI, mas se posiciona contra qualquer tentativa de interferência na escolha dos eleitores. Segundo ela, as pessoas são livres para exercer o direito ao voto.
O vereador Lau Almeida afirmou, durante sua fala, que as eleições se encerraram no dia 25 e disse esperar que o presidente Lula faça um bom governo. Ele também defendeu a pacificação e o fim dos conflitos entre direita e esquerda, ressaltando que, nessa disputa, quem mais perde é a população.
O vereadores Diogo Manera e a vereadora Amanda Nabeshima votaram a favor da nota de repúdio à Lair Moura
Todas as denúncias serão apuradas na esfera judicial




