Prefeito representa o município em evento internacional sobre inovação digital, mas críticas locais questionam mobilidade, sustentabilidade e participação popular na cidade.
O prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi, está na Europa representando o município na Missão Estônia e Finlândia 2026 – Cidades Inteligentes e Inovação Digital. O evento é promovido pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos em parceria com a Estônia Hub. Nesta quarta-feira (27), às 16h20, Guto participa do painel “Estratégia da Implementação: Desafios Reais da Transformação Digital”, onde pretende expor projetos locais como o “Escudo Digital – Smart Ribeirão Pires”, o aplicativo de proteção à mulher “Ana com Botão do Pânico” e ferramentas digitais de gestão ambiental. No entanto, o discurso de modernidade apresentado no exterior contrasta severamente com a realidade da Estância.
O conceito internacional de cidades inteligentes preconiza o uso de tecnologia e dados para melhorar a eficiência urbana, focado em pilares como sustentabilidade, governança colaborativa e mobilidade urbana integrada. Contudo, a gestão municipal caminha na contramão dessas diretrizes. Na área da mobilidade, a prefeitura prioriza o transporte individual motorizado em detrimento do transporte coletivo, considerado precário. Intervenções recentes, como a abertura do antigo calçadão, reduziram o espaço de micromobilidade (bicicletas e patinetes), e as obras do novo viaduto na cidade não preveem ciclovias ou faixas adequadas para pedestres, o que eleva o uso do carro e, consequentemente, a pegada de carbono no município.
No quesito ambiental e de sustentabilidade, os protestos locais ganham ainda mais força. A administração Guto Volpi autorizou o maior desmatamento da história recente de Ribeirão Pires, resultando no soterramento de diversas nascentes e braços de rios nos últimos meses. A infraestrutura urbana também tem mostrado sinais de saturação e falta de manutenção básica: recentemente, locais cruciais como o terminal rodoviário municipal e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Luzia sofreram com apagões elétricos recorrentes, deixando passageiros e pacientes no escuro.
Por fim, a governança colaborativa — outro pilar fundamental das cidades do futuro que exige o engajamento do cidadão nas tomadas de decisões — é descrita como inexistente. Os canais de diálogo são fechados e a realização de audiências públicas na cidade tem ocorrido quase que exclusivamente por força de determinações e pressões do Ministério Público (MP). Assim, enquanto o prefeito Guto Volpi tenta selar a imagem de uma Ribeirão Pires tecnológica no cenário internacional, o cotidiano da cidade real escancara que o município ainda está distante de alcançar o verdadeiro equilíbrio de uma cidade inteligente.


