Gilmar Miranda de Almeida Yamada, ligado ao grupo político de Clóvis Volpi, teve mandado de prisão expedido após negativa de habeas corpus

O ex-secretário de Governo de Rio Grande da Serra, Gilmar Miranda de Almeida Yamada, teve mandado de prisão expedido nesta segunda-feira (30) pela Justiça de São Paulo. A decisão foi assinada pelo juiz Oto Sérgio Silva de Araújo Júnior, da Unidade Regional do Departamento Estadual de Execução Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Gilmar foi condenado a quatro anos e oito meses de reclusão pelo crime de extorsão, previsto no artigo 158 do Código Penal. A defesa chegou a solicitar a concessão do regime semiaberto harmonizado, mas o pedido foi negado.
Na decisão, o magistrado destacou que o mandado de intimação havia sido cumprido anteriormente, porém o sentenciado não foi encaminhado à unidade prisional. Diante disso, foi determinada a expedição da ordem de prisão para o cumprimento da pena.
De acordo com o processo, o ex-secretário foi condenado por extorquir a esposa de um ex-vereador de Rio Grande da Serra. A vítima relatou que havia contraído um empréstimo de R$ 23 mil com Gilmar, com juros entre 12% e 15%. Após dificuldades para manter os pagamentos, passou a sofrer ameaças.
Entre as provas apresentadas, consta a transcrição de conversas nas quais o condenado exige o pagamento sob intimidação. Em um dos trechos, ele menciona que daria um “sinalzinho”, sugerindo mandar cortar o cabelo do filho da vítima “só para ela ver”. Em outro momento, afirma que a mulher, por ser “mau caráter”, deveria estar no cemitério, além de questionar se a vida da família dela “valia tudo aquilo”.
O caso não é isolado. Gilmar Miranda já foi investigado e respondeu judicialmente por outros crimes, como ameaça, lesão corporal, injúria, corrupção passiva, dano ao patrimônio, resistência e desacato.
Há ainda registro de ocorrência por violência doméstica feito por uma servidora da Câmara Municipal de Rio Grande da Serra. Segundo o boletim, após o fim do relacionamento, ela teria sido alvo de ameaças e perseguições por parte do ex-secretário.
A defesa do condenado não foi localizada pela reportagem.


