Do porta a porta à confeitaria: a história de Maria Muniz Delicatessen

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Com mais de quatro décadas de trajetória, Maria Muniz e a filha Thaís mantêm viva a tradição da Maria Muniz Delicatessen e mostram como o trabalho em família pode fortalecer o empreendedorismo feminino.

Foto: Arquivo pessoal

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o Diário de Ribeirão Pires conversou com duas mulheres que transformaram dedicação, trabalho e união familiar em uma trajetória de empreendedorismo na cidade. Maria Muniz da Silva, de 75 anos, acumula 43 anos de experiência empreendendo, enquanto sua filha, Thaís Emanuela Muniz de Almeida, de 44 anos, atua há 25 anos na confeitaria da família.

Juntas, elas são responsáveis pela Maria Muniz Delicatessen, negócio que nasceu da necessidade de sustentar a família e que, ao longo dos anos, se consolidou como referência em doces e confeitaria artesanal.

A história começou em 1983, quando Maria Muniz passou a vender produtos de porta em porta para ajudar nas despesas da casa. Aos poucos, foi conquistando clientes e criando uma rede de confiança baseada na qualidade dos produtos.

Em 1994, decidiu dar um passo maior e abriu seu primeiro comércio. Na época, o negócio ainda não levava o nome atual e era conhecido como Maria Muniz – Bolos, Doces e Salgados. A loja funcionou até 2001, quando precisou encerrar as atividades.

Mesmo diante das dificuldades, Maria não desistiu de empreender. Em 2005, com a abertura de um novo espaço em Ribeirão Pires, nasceu oficialmente a Maria Muniz Delicatessen, marca que passou a oferecer produtos diferenciados e uma proposta mais voltada à confeitaria e aos doces finos.

Desafios no início

Maria relembra que o início do negócio foi marcado por muitos desafios, principalmente pela falta de conhecimento sobre gestão.

“Existia vontade de trabalhar, dedicação e produtos que agradavam ao público, mas ainda faltava preparo para administrar um negócio”, conta.

Questões como organização financeira, controle de custos, contratação de funcionários e planejamento administrativo eram pouco conhecidas naquela fase. Segundo ela, o aprendizado veio com o tempo e com a necessidade de profissionalizar o trabalho.

“O amadorismo foi importante para dar o primeiro passo, mas percebemos que, para crescer e manter o negócio, era preciso buscar mais conhecimento”, afirma.

A chegada da filha ao negócio

Thaís cresceu acompanhando a rotina da mãe empreendedora e, desde cedo, ajudava no negócio da família. Apesar disso, inicialmente seguiu outro caminho profissional.

Ela se formou na área da construção civil e chegou a trabalhar em escritório. No entanto, após concluir a faculdade, percebeu que seu verdadeiro interesse estava na confeitaria.

“Eu sempre gostei da parte de decoração e da área mais artística dos produtos. Aos poucos fui me envolvendo cada vez mais no negócio da família”, relembra.

Em 2001, decidiu deixar o trabalho no escritório para se dedicar integralmente à confeitaria. A parceria entre mãe e filha se consolidou em 2005, quando abriram juntas a loja da Maria Muniz Delicatessen.

Conciliando maternidade e empreendedorismo

Hoje, Thaís também enfrenta o desafio de conciliar o empreendedorismo com a maternidade. Mãe de um filho pequeno, ela explica que a rotina exigiu mudanças no modelo de trabalho da empresa.

“Ser mãe traz novas demandas de tempo e presença. Com a chegada do meu filho, percebemos que precisávamos adaptar o formato do negócio para nossa realidade familiar”, explica.

Foi assim que surgiu a decisão de migrar do modelo de loja física para o atendimento online. A mudança começou durante a pandemia, quando muitos pedidos passaram a ser feitos pelo WhatsApp.

Em 2022, a família decidiu encerrar definitivamente a loja física e trabalhar apenas com vendas online, modelo que segue até hoje.

Parceria entre mãe e filha

Trabalhar em família, segundo elas, é uma experiência cheia de aprendizados. A proximidade emocional facilita muitas decisões, mas também exige diálogo constante.

“Como mãe e filha, nos conhecemos muito bem. Isso ajuda bastante, mas também exige respeito pelas diferenças de opinião”, explica Thaís.

Para Maria, as divergências fazem parte de qualquer relação de trabalho e podem contribuir para o crescimento da empresa.

“Cada pessoa tem um olhar diferente. Quando conseguimos conversar e alinhar ideias, isso acaba fortalecendo o negócio”, afirma.

Uma trajetória de gratidão

Ao olhar para trás, Maria Muniz afirma sentir gratidão pela caminhada construída ao longo de décadas.

Empreender enquanto criava os filhos não foi fácil, e muitas vezes a rotina exigiu sacrifícios. Ainda assim, ela acredita que o esforço valeu a pena.

“Hoje vejo meus filhos adultos e sinto que cumpri minha missão. Tenho muita gratidão a Deus por ter me ajudado nessa jornada”, diz.

Uma mensagem para outras mulheres

Para as duas empreendedoras, o principal conselho para quem deseja iniciar um negócio é buscar conhecimento e acreditar no próprio potencial.

“Elas não devem ter medo de empreender. A mulher tem uma força especial e consegue desempenhar muitos papéis ao mesmo tempo”, destaca Maria.

Thaís reforça que o amor pelo trabalho faz toda a diferença.

“Quando existe paixão pelo que se faz, o trabalho se torna mais leve. É importante buscar preparo, ter dedicação e acreditar no próprio sonho.”

E deixam um recado especial para as mulheres que desejam abrir o próprio negócio:

“Tenham coragem, se preparem e sigam em frente. Com fé, trabalho e dedicação, é possível construir algo bonito e duradouro.”