Cidades “Caixa d’Água”: Por que o ABC preserva e a capital consome sem contrapartidas?

Nova interligação. Foto: Divulgação/Sabesp
A crise hídrica na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) é estrutural e vem sendo agravada pelas mudanças climáticas. Obras de interligação entre sistemas produtores são importantes e, muitas vezes, necessárias. Mais uma vez, bilhões de reais serão investidos em projetos desse tipo, com a extração de água do Sistema Rio Grande para abastecer a Região Metropolitana.
No entanto, é impossível não refletir sobre quem, de fato, sustenta essa segurança hídrica.
O Sistema Rio Grande é um sistema produtor composto por municípios como Diadema, Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, São Bernardo do Campo e Santo André — territórios que convivem com severas restrições de uso do solo por estarem inseridos em áreas de proteção de mananciais.
Esses municípios preservam, protegem e produzem água de alta qualidade ambiental. A água circula pelos sistemas integrados, mas o ônus da preservação permanece local.
A pergunta, portanto, segue atual: quais são as contrapartidas estruturais para esses territórios? Quais incentivos são oferecidos aos proprietários de imóveis localizados nessas áreas?
A segurança hídrica não se constrói apenas com grandes obras. Ela exige justiça ambiental, participação social e equilíbrio entre a proteção ambiental e o desenvolvimento local.
A Agenda 2030 da ONU se aproxima e, sem resultados concretos, metas globais não se cumprem.
OPINIÂO
Andreza Araújo engenheira ambiental, com formação técnica e pós-graduação pela Escola Superior da CETESB além de especialização em planejamento urbano e gestão pública. Possui mais de 15 anos de experiência na área ambiental e na administração pública, tendo atuado em cargos estratégicos da Prefeitura de Ribeirão Pires, onde exerceu a missão institucional de conduzir políticas públicas voltadas à proteção ambiental, gestão urbana e regularização fundiária. Graduanda em direito


