Renato deixou a situação de rua com apoio da comunidade, mas enfrenta dificuldades para acessar o transporte público mesmo com gratuidade garantida por lei.

Foto: Arquivo pessoal
Renato, de 62 anos, conhecido na cidade por recolher materiais recicláveis, teve sua história transformada recentemente com a ajuda da comunidade de Ribeirão Pires. Ao lado de seu fiel companheiro, o cão Rex, ele vivia em situação de rua até que um casal, Alex e Paty, ao notar o cachorro sujo de tinta — inicialmente confundida com sangue — decidiu se aproximar para entender o que havia acontecido.
Ao descobrir que Renato é artista plástico e que a tinta fazia parte de seu trabalho, tendo respingado acidentalmente no cachorro, nasceu a vontade do casal de ajudar Renato e Rex. A partir daí, Alex e Paty mobilizaram moradores da cidade para oferecer apoio. Rex recebeu atendimento médico veterinário, e Renato passou a contar com ajuda da comunidade, conseguindo moradia, alimentação e uma cama para dormir, deixando para trás a situação de rua.
Apesar do avanço na qualidade de vida, um novo obstáculo surgiu: o acesso ao transporte público. Renato não possui celular, tem pouco conhecimento em tecnologia e, embora tenha direito à gratuidade no transporte coletivo garantida por lei, precisava realizar o cadastro no sistema BusPay para utilizar o benefício.
Após buscarem informações, Alex e Paty foram orientados a comparecer à rodoviária de Ribeirão Pires com Renato, munidos dos documentos necessários, para realizar o cadastro e a biometria. No entanto, ao chegarem ao local, foram impedidos de entrar. Segundo o relato, funcionários informaram que o acesso à rodoviária só seria permitido mediante o pagamento de passagem, mesmo não havendo a intenção de embarcar em ônibus, apenas de regularizar a documentação.
Paty, que acompanhava Renato, relatou indignação diante da situação, já que a rodoviária é um espaço público e o objetivo da visita era exclusivamente administrativo. “Como assim? Eu não vou pegar ônibus, vou apenas ao escritório com os documentos solicitados pelos próprios funcionários”, relatou. A passagem não foi paga, e o grupo não conseguiu acessar a rodoviária para realizar o cadastro do BusPay.
O Ministério Público de Ribeirão Pires instaurou um inquérito civil para apurar possíveis falhas no acesso ao transporte público, especialmente envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade, estudantes, idosos e trabalhadores.
Mesmo agora com residência fixa e endereço regularizado, Renato segue enfrentando dificuldades para exercer um direito básico: utilizar o transporte público municipal com a gratuidade assegurada por lei.
ATUALIZAÇÂO: Após a publicação da reportagem, a BusPay entrou em contato com o DiárioRP, publicamos a nota na íntegra, conforme enviada:
“A Buspay não tem nada a ver com o cadastro e a operação dos ônibus, ao contrário do afirmado na matéria. A Buspay apenas fornece a tecnologia de cobrança. O cadastro da pessoa em questão não é feito pela Buspay. A Suzantur que é a operadora de transporte, e a Busfacil que opera a loja na Rodoviária. Não há funcionário algum da Buspay na rodoviária, como afirmou a apuração da matéria, para impedir a entrada de quem quer que seja.”


