O prefeito Ayahuasca e seu mundo paralelo

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Este artigo não pretende criticar a cultura indígena, tampouco promover preconceito em relação aos rituais em que o chá é utilizado. O objetivo é inserir no debate sobre gestão pública um prefeito que vive em um mundo paralelo, cujas ações não dialogam com a realidade.

Guto Volpi é assumidamente simpatizante do xamanismo e dos rituais que utilizam a ayahuasca; aliás, ele faz propaganda aberta disso em seu perfil pessoal no Instagram. Sua espiritualidade não seria passível de crítica se sua prática de vida fosse condizente com os valores de bem que são defendidos dentro de sua religião. No entanto, ele vive o avesso disso.

O que vemos é um prefeito que utiliza sua espiritualidade como fuga para justificar mazelas impostas à população e que cria um mundo paralelo no qual as pessoas próximas não conseguem trazê-lo de volta à realidade. É como se ele afastasse a verdade ao seu redor sob o argumento de que sua conexão está em outro plano, e não no mundo real. Assim, sua equipe se afasta (por medo ou cansaço), e o prefeito passa a acreditar no ambiente fantasioso que ele mesmo cria.

É o líder que fala em boas energias enquanto espalha as piores; é o que fala de paz criando guerra; é o que fala em amor, mas só destila ódio; é o indivíduo que fala em natureza e cria recordes de desmatamento. Ou seja, é um líder que bebeu o chá alucinógeno do poder, e sua realidade paralela contrasta com quem ele é e com quem ele acredita ser.

No último domingo, dezenas de cidadãos tiveram prejuízos materiais grandiosos durante as chuvas. Pessoas em desespero ao ver suas casas inundadas pela água. Muitos cobraram um posicionamento e ação do prefeito, mas, enquanto isso, ele postava uma foto de Jesus ao lado de alienígenas e líderes espirituais. Em seguida, publicou uma imagem xamânica de um indígena com uma águia. As pessoas criticavam, enquanto ele vivia na alucinação de que uma foto espiritual se sobreporia à sua ação desumana de ignorar a tragédia e a perda sofrida pelos cidadãos.

O efeito do chá alucinógeno do poder só passará em 2028 e, até lá, a cidade terá de conviver com um prefeito visivelmente confuso, que mistura gestão pública com devaneios. A população que vive na realidade não vai voar em águia, pagará mais caro na passagem de ônibus; não terá a cura de algum pajé, mas continuará sem remédios nas UBS; e tampouco terá o abraço da Mãe Natureza, continuando a sofrer com enchentes causadas pelo desmatamento criminoso ocorrido na cidade.

A sobriedade é necessária em Ribeirão Pires.