Após denúncias iniciais, grupo de GCMs leva novas denúncias ao Ministério Público

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Após boletim de ocorrência e denúncia ao Ministério Público, dezenas de agentes relataram humilhações, perseguições e supostas irregularidades administrativas

O subcomandante Antônio Carlos de Brito Araújo, da GCM de Ribeirão Pires, é alvo de denúncias de assédio dentro da tropa. Foto: Reprodução

Após denúncias de assédio moral feitas por guardas civis municipais (GCMs) de Ribeirão Pires, com registro de boletim de ocorrência e formalização de denúncia junto ao Ministério Público (MP), outros agentes também procuraram o órgão para relatar novos episódios envolvendo o subcomandante da corporação, Antônio Carlos de Brito Araújo.

Em depoimentos, os GCMs narraram cenas recorrentes de humilhação, com gritos, ameaças e tratamento considerado abusivo no ambiente de trabalho. Segundo os relatos, diversas denúncias já haviam sido feitas anteriormente ao corregedor-geral da GCM de Ribeirão Pires, Edvaldo Rhein, mas não teriam tido andamento. Os agentes afirmam que a falta de providências estaria relacionada à amizade pessoal entre o corregedor e o subcomandante denunciado.

Antônio Carlos de Brito Araújo e o corregedor da GCM Edvaldo Rhein: amizade que tem atrapalhado o andamento de denúncias dentro da tropa. — Foto: Montagem/g1/Reprodução

Além do assédio moral, os guardas também relataram ao Ministério Público o suposto desaparecimento de peças de viaturas, uso irregular de equipamentos da Guarda para fins particulares e aplicação de punições a subordinados sem justificativa técnica durante a gestão de Antônio Brito Araújo.

Sob condição de anonimato, alguns GCMs disseram à reportagem do g1 que, após a ida ao Ministério Público, o subcomandante teria ido até a casa de alguns agentes para fazer ameaças direcionadas a eles e a seus familiares.

Por meio de nota enviada ao g1, a Prefeitura de Ribeirão Pires informou que a Secretaria de Segurança Urbana abriu um processo administrativo para apurar os fatos, sob acompanhamento da Promotoria de Justiça do município.

A Promotoria de Justiça de Ribeirão Pires confirmou que colheu depoimentos de dezenas de GCMs que procuraram o MP com denúncias contra o comando da corporação. No entanto, o promotor Jonathan Vieira de Azevedo afirmou que, por ora, não irá se manifestar publicamente sobre o caso. Em nota, o Ministério Público destacou que segue apurando os fatos de forma independente, por meio de investigação própria, e que não interfere nem exerce influência nas apurações internas conduzidas pela GCM.

Segundo apuração do g1 junto a integrantes da gestão do prefeito Guto Volpi, o subcomandante foi obrigado a tirar férias antecipadas como medida para reduzir a tensão gerada pela crise interna. Os dois GCMs que formalizaram inicialmente as denúncias também teriam sido afastados por meio de férias antecipadas e licença-prêmio, com o objetivo de conter o desgaste dentro da corporação.

Ainda de acordo com os relatos, os dois denunciantes passaram a responder a inquérito administrativo interno na GCM, enquanto o subcomandante, apontado como autor das agressões verbais, não teria sido submetido ao mesmo tipo de procedimento disciplinar.