GCMs que denunciaram assédio moral são afastados de cargos

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A decisão teria partido do prefeito Guto Volpi e do secretário de Segurança, Arlei Capoccio

Foto: Montagem/DiárioRP

Dois guardas civis municipais que denunciaram assédio moral dentro da corporação foram afastados de seus cargos em Ribeirão Pires. De acordo com apuração do DiárioRP, a ordem de afastamento teria partido do prefeito Guto Volpi (PL) e do secretário de Segurança Pública, Arlei Capoccio.

As vítimas, conforme consta no boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Polícia de Ribeirão Pires, são o GCM Lincoln Santos de Paulo, de 38 anos, e a GCM Regiane de Aguiar de Souza Petreca, de 45 anos. Ambos atuavam em serviço extra, dando apoio ao bloqueio parcial de uma via pública para a realização de um evento esportivo, conforme determinação da chefia.

Ainda segundo o registro policial, durante a execução do serviço, o subcomandante da corporação, identificado como GCM 1ª Classe Antônio Carlos de Brito Araújo, teria comparecido ao local visivelmente alterado e passado a se dirigir aos agentes com palavras ofensivas e de baixo calão, como “burros”, “animais”, “vai tomar no…” e “não sabem cumprir ordens”, entre outros xingamentos.

As vítimas relataram no boletim que as condutas configuram assédio moral, motivando o registro da ocorrência policial.

Após o afastamento segundo fontes, os GCMs passaram a arcar com custos para a própria defesa jurídica. Segundo apurou o DiárioRP, um dos agentes está vendendo rifas, enquanto o outro tem realizado trabalhos informais para levantar recursos e pagar advogados.

Opinião da população

O DiárioRP foi às ruas para ouvir moradores sobre o caso.
O morador da Quarta Divisão Antônio Fidelis comentou:

“Com todo respeito, é o poste mijando no cachorro. Está tudo invertido.”

Uma moradora do Centro Alto, que preferiu não se identificar, afirmou:

“É uma total inversão de valores. Eles são as vítimas e acabam afastados. Isso cheira a vingança da administração. Um total abuso.”

Já Raquel Vieira, moradora da Vila Suissa, comparou a situação a outros casos de responsabilização da vítima:

“É como se uma mulher fosse violentada e o juiz dissesse que a culpa é da roupa que ela usava. Quando as vítimas passam a ser tratadas como culpadas.”