Caso ocorreu na manhã do dia 7 de dezembro, durante apoio ao bloqueio viário para corrida; vítimas relatam ofensas, desacato e abalo psicológico.

Foto: Reprodução
Dois agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Ribeirão Pires registraram boletim de ocorrência denunciando um possível assédio moral e constrangimento durante o exercício da função, na manhã do dia 7 de dezembro, por volta das 7h, na rua Capitão José Galo, altura do número 1.300, na região central da cidade.
As vítimas são o GCM Lincoln Santos de Paulo, de 38 anos, e a GCM Regiane de Aguiar de Souza Petreca, de 45 anos, que atuavam em serviço extra, em apoio ao bloqueio parcial da via para a realização de um evento esportivo, conforme determinação da chefia.
De acordo com o relato das vítimas na ocorrência, a equipe seguia orientação do Inspetor-Chefe, aguardando a ordem de fechamento total da via, que seria comunicada por meio de um grupo de WhatsApp criado para a organização da corrida.

O local estava interditado e devidamente sinalizado.
Ainda segundo o registro policial, durante o serviço, o Subcomandante da corporação, identificado como GCM 1ª Classe Antônio Carlos de Brito Araújo, compareceu ao local visivelmente alterado e passou a dirigir-se aos agentes com palavras ofensivas e de baixo calão, como “burros”, “animais”, “vai tomar no…” e “não sabem cumprir ordens” e outros xingamentos, configurando, segundo as vítimas, assédio moral.
Na sequência, um munícipe ultrapassou o bloqueio viário, desacatou o GCM Lincoln e avançou com o veículo, uma picape, em sua direção. Diante da situação, foi dada voz de prisão ao condutor, com base no artigo 331 do Código Penal (desacato). No entanto, o Subcomandante teria interferido na ação, liberado o indivíduo e voltado a proferir ofensas contra a equipe, tudo na presença de outros agentes da GCM.
O GCM Lincoln relatou ainda que, diante do abalo emocional e psicológico, comunicou à chefia que a equipe não possuía condições de permanecer no local, solicitando rendição. Apesar disso, o Subcomandante determinou, por mensagem, que os agentes permanecessem até o término do evento.
As vítimas destacam que não houve descumprimento de ordens, e que qualquer divergência decorreu de falha de comunicação entre as chefias superiores.
Ao final do serviço, o GCM Lincoln informou ter entregado sua farda e seu armamento, por não se considerar em condições psicológicas de permanecer armado, visando evitar riscos maiores. A oitiva foi anexada ao boletim, e a autoridade policial determinou a expedição de ofício ao Comando da GCM de Ribeirão Pires, com cópia do registro para ciência e providências.
O DiárioRP questionou a Prefeitura se foi instaurado procedimento administrativo, sindicância ou apuração interna para investigar a conduta atribuída ao Subcomandante Araújo da GCM. Até o fechamento da reportagem, não houve resposta.


