Obras visam reduzir acidentes na rodovia da morte, como é conhecida; após 14 anos de espera, publicação está prevista para setembro.

O início dos trabalhos está condicionado à finalização do projeto executivo e à conclusão do processo licitatório. Foto: Celso Luiz/DGABC
A Rodovia Índio Tibiriçá (SP-031), conhecida como rodovia da morte, acumulou 132 óbitos, em 118 acidentes fatais, de 2015 até junho deste ano, segundo levantamento do Detran-SP (Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo) a pedido do Diário. Com apenas 37,2 km de extensão, foram computadas oito mortes somente nos seis primeiros meses de 2025, o dobro das registradas no mesmo período de 2024. A reportagem é do Diário do Grande ABC.
A via, que passa por três municípios do Grande ABC – Santo André, São Bernardo e Ribeirão Pires – e por Suzano, tem além dos acidentes fatais, em média, outros 134 sem registro de mortes por ano. De 2019 a 2025 (até junho), houve 847 ocorrências. O Detran-SP não informou os números de 2015 a 2018.
Após 14 anos de espera, a rodovia terá edital de duplicação publicado em setembro. De acordo com a DER-SP, concessionária responsável pela SP-031, a pista será duplicada entre os km 33,1 e 69,3. As obras incluem dispositivos de acesso e retorno, além de transposições em desnível nos cruzamentos com linhas férreas. O objetivo é aumentar a capacidade da via, melhorar a trafegabilidade e a segurança dos motoristas e pedestres.
A licitação para a execução das obras ocorrerá após a publicação do edital e o início dos trabalhos está condicionado à finalização do projeto executivo e à conclusão do processo licitatório. O valor do investimento será definido após o término do projeto, segundo informou a concessionária.
Marcos Campanhã, responsável pela mobilidade urbana de Ribeirão Pires, diz que a obra de duplicação vai melhorar a fluidez do tráfego. “Além da duplicação, rotatórias e muretas de segregação das pistas, com objetivo de inibir condutas imprudentes, vão colaborar também para a segurança do trajeto. Alguns motoristas, devido à imprudência, acabam cometendo infrações de trânsito que, em um primeiro momento, podem parecer atos simples, mas trazem o risco de impactos significativos, ou até mesmo fatais”, completa.
Emergencial
A DER-SP informou que, para contribuir com a redução de acidentes, tem implementado melhorias nos acessos entre o km 52 e o km 54, com investimento estimado em R$ 210 mil. Outra medida de reforço à segurança viária é a instalação de 14 radares ao longo da rodovia.
Sobrecarga
Os acidentados na Índio Tibiriçá acabam também sobrecarregando o Hospital Radamés Nardini, em Mauá, equipamento de saúde com estrutura para o atendimento mais próximo da rodovia.
De acordo com estimativa do Paço mauaense, 20% dos pacientes da unidade vem de outros municípios, como Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A demanda impacta no orçamento de R$ 10 milhões mensais, em média do hospital, que precisou solicitar apoio de R$ 3 milhões ao governo estadual.


