Paciente de 64 anos relata frustração ao ter procedimento cancelado no dia marcado, após dois anos de espera, por falta de equipamentos.

Cirurgia havia sido transferida do Hospital São Lucas para o novo Hospital São Lucas – Unidade Santa Luzia, que ainda não está equipada. Foto: Divulgação/PMETRP
Uma moradora do bairro Suissa de 64 anos viveu um momento de frustração nesta segunda-feira (28) ao ter sua cirurgia adiada por falta de estrutura no Hospital São Lucas – Unidade Santa Luzia. O procedimento, aprovado pelo SUS após mais de dois anos de espera, estava inicialmente agendado para o Hospital e Maternidade São Lucas, mas foi transferido para a nova unidade em razão da mudança da estrutura hospitalar.
Na mesma data, foi realizada a inauguração da nova maternidade municipal, em um evento marcado por comemorações do prefeito Guto Volpi, do secretário de Saúde, Clóvis Volpi, e vereadores da base governista.
No entanto, a solenidade contrasta com a realidade enfrentada por muitos moradores, que continuam sofrendo com graves problemas na área da saúde. Enquanto autoridades celebravam a entrega do novo espaço, pacientes relataram a falta de equipamentos e a desorganização da estrutura hospitalar.
Em um dos casos registrados, a paciente — que tinha cirurgia agendada — foi orientada a retornar para casa devido à ausência de equipamentos e condições básicas para a realização do procedimento.
Segundo a moradora, o problema começou com inchaço nas pálpebras. Após uma consulta com oftalmologista e o uso de um colírio com corticoide, o quadro se agravou, levando-a a buscar novos atendimentos médicos. Exames realizados no Centro de Especialidades Médicas diagnosticaram a presença de uma bolsa de gordura na parte interna das pálpebras, sendo indicada uma cirurgia de remoção e blefaroplastia corretiva.
A tão aguardada cirurgia estava marcada para esta segunda-feira, às 9h, no Hospital São Lucas. Na semana anterior, no entanto, a paciente foi informada, via mensagem de WhatsApp, que o procedimento seria realizado na UPA Santa Luzia, para onde o hospital estaria sendo transferido.
No setor de pequenas cirurgias, foi atendida por uma médica que, visivelmente constrangida, informou que os equipamentos cirúrgicos ainda não haviam sido instalados, impossibilitando a realização do procedimento.
“Fiquei sem palavras, com um nó na garganta. A médica abriu a agenda e reagendou a cirurgia para o dia 1º de setembro”, desabafou a moradora, visivelmente abalada com a situação.
Ela também questionou a inauguração de uma estrutura hospitalar sem que as condições mínimas de funcionamento estejam asseguradas. “Como se inaugura um hospital sem equipamentos, sem salas prontas, sem estrutura para atender os pacientes? Isso é o fim do mundo”, criticou.
A paciente demonstrou indignação com o uso de recursos públicos e a qualidade dos serviços prestados. “Pago meus impostos aqui, moro aqui, gero renda aqui. Tenho o direito de questionar e de receber respostas convincentes”, finalizou.
Procurada a Prefeitura não respondeu aos nossos questionamentos.


