Cratera avança sobre casa de idosos na Quarta Divisão

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Cratera aberta pelas chuvas, após obra da Prefeitura, avança sobre residência de idosos — um deles com Alzheimer — e de um adolescente de 13 anos, que não conseguem sair de casa com segurança, nem permanecer nela em condições seguras.

Uma escada de madeira foi improvisada para que o adolescente pudesse ir à escola. Foto: Arquivo pessoal

Uma obra de asfaltamento iniciada em setembro de 2024 na Rua Eraldo Nascimento de Paula, nº 329, no bairro Quarta Divisão (região do Tanque Caio), em Ribeirão Pires, tornou-se um pesadelo para uma família moradora da via. O projeto, inicialmente anunciado como uma melhoria urbana, hoje representa grave risco para uma residência onde vivem dois idosos — um deles com Alzheimer — e um adolescente de 13 anos.

Com orçamento público de R$ 1.145.098,00, a obra foi amplamente divulgada como uma das promessas de campanha do atual prefeito Guto Volpi. Na época, o chefe do Executivo aparecia nas redes sociais com capacete de obras e usava o termo “Guto Trabalhador” como marca registrada da gestão durante as eleições de 2024. No entanto, passados nove meses, menos de 20% do serviço foi concluído. O trecho em frente à casa da família está em completo abandono, com uma cratera aberta que ameaça desabar sobre a residência — e sem qualquer empresa responsável no local.

Segundo os moradores, os trabalhos começaram com a retirada de grande quantidade de terra. Com as chuvas do início de 2025, o solo cedeu, abrindo um enorme buraco em frente ao imóvel, comprometendo a estrutura da casa e provocando a queda de um poste da Enel. A família ficou sem energia elétrica e isolada. A única ação concreta veio da concessionária, que religou o fornecimento e improvisou uma passarela de tábuas para garantir o acesso mínimo à residência.

Na quarta-feira (25), a situação se agravou ainda mais: a terra voltou a desabar sobre a casa. A Defesa Civil foi acionada, mas, até o momento, a única medida tomada foi a instalação de uma escada improvisada, feita com pedaços de madeira, para que o adolescente pudesse sair de casa e ir à escola. A estrutura é precária e o risco de desabamento é iminente. O idoso com Alzheimer necessita de atendimento médico frequente, o que torna a impossibilidade de saída da casa ainda mais crítica.

O mais grave, segundo os relatos, é que não há empresa contratada ou engenheiros atuando no local. Os serviços emergenciais estão sendo realizados por quatro internos de uma casa de reabilitação da região (Casa da Acolhida), que não possuem qualquer qualificação técnica. Eles operam uma única máquina e foram pagos por pessoas ligadas à obra como uma suposta solução paliativa.

A reportagem questionou a Prefeitura sobre a obra e seu andamento. Em nota, o órgão respondeu:

A Prefeitura de Ribeirão Pires esclarece que houveram estudos técnicos para intervenção na construção do muro e para a remoção de terra. A obra pública visa minimizar os riscos de ruptura junto à Rua Eraldo do Nascimento de Paula.

A obra está sendo monitorada e está em curso. Foram instaladas novas lonas plásticas e o muro de divisa danificado será refeito.