Categoria rejeitou proposta de reajuste e cobra avanços em salário e vale-alimentação; paralisação pode afetar as sete cidades da região.

Sindicato do ABC cobra avanço nas negociações com setor patronal. Foto: DiárioRP
O Sindicato dos Rodoviários do Grande ABC (Sintetra) realiza, nesta quarta-feira (4), às 16h, uma assembleia decisiva que pode oficializar a greve dos ônibus nas sete cidades da região.
Segundo o sindicato, os rodoviários exercem uma função essencial na mobilidade urbana, garantindo diariamente que milhares de pessoas cheguem ao trabalho, à escola e a outros compromissos. No entanto, a categoria afirma que essa importância não tem sido reconhecida na prática, enfrentando “falta de reconhecimento, exploração e ausência de melhorias”.
Na primeira assembleia, realizada na semana passada, os trabalhadores já haviam recusado a proposta de reajuste de 5,32% — correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre maio de 2024 e abril de 2025.
“O grande problema está no vale-alimentação. Os preços dos alimentos subiram muito, e esse percentual não cobre a inflação real que a gente vê no supermercado. Está muito defasado e prejudica nossa negociação”, afirmou a direção do Sintetra.
A diretoria sindical ressalta que tem buscado o diálogo e esgotado as possibilidades de negociação com os empregadores, mas relata que o setor patronal se mostra resistente em atender as reivindicações. “Enquanto os lucros do setor aumentam, os trabalhadores seguem com salários defasados e em condições precárias”, pontua a nota.
O sindicato também destaca que os trabalhadores do transporte enfrentam jornadas longas, riscos diários e sobrecarga emocional. A luta por valorização, segundo eles, é também uma luta coletiva. “Sentimos as mesmas dores, enfrentamos as mesmas dificuldades. A vida dos rodoviários é a mesma vida de quem embarca nos ônibus do ABC todos os dias”, diz o comunicado.
Caso a paralisação seja aprovada, a deflagração da greve deverá obedecer ao prazo legal de comunicação prévia. Conforme determina a Lei nº 7.783/1989 — conhecida como Lei de Greve —, é necessário informar a decisão com antecedência mínima de 72 horas ao empregador e à população, especialmente por se tratar de um serviço essencial.
Por fim, o sindicato pede o apoio dos passageiros e da sociedade em geral, reforçando que apenas com união será possível conquistar avanços concretos. “Nossa luta é por dignidade, segurança e valorização — direitos que todos merecem”, conclui a nota assinada pela direção da entidade.


