A polêmica em torno do decreto do prefeito Guto Volpi (PL), que restringe o acesso de crianças acima de 11 anos ao Transporte Escolar Gratuito (TEG), ganha mais um capítulo. Mães que questionam a decisão relatam estar sendo intimidadas e ameaçadas para não participarem de protestos pacíficos ou se manifestarem publicamente sobre o tema por vereadores.
Segundo denúncias recebidas pelo DiárioRP, mães de diversas regiões, como Sakai, Santa Rita e Cinco Pinheiros, foram constrangidas por vereadores que alertaram que seus filhos poderiam perder vagas nas escolas caso continuassem reivindicando o direito ao transporte. Áudios anônimos obtidos pelo jornal reforçam as denúncias de assédio e tentativa de silenciamento.
O próprio prefeito, em entrevista recente a um jornal da região, afirmou que investigaria as mães. Já o secretário de Educação, Raphael Volpi, irmão do prefeito, divulgou um vídeo em suas redes sociais – posteriormente compartilhado em páginas oficiais do prefeito e de secretários da gestão –, onde também menciona uma investigação e sugere que as mães estariam mentindo sobre seus endereços, mães que em manifestação mostraram seus carnês de IPTU da cidade de Ribeirão Pires.
Na sessão ordinária da Câmara Municipal nesta quinta-feira (13), a vereadora Fernanda Henrique (PT) criticou a postura do secretário, chamando o vídeo de “sensacionalista”. Segundo Fernanda, a gravação teve o objetivo de “amedrontar” e “coagir” as mães, insinuando que elas estariam mentindo sobre o corte do transporte escolar.
Durante a mesma sessão, Luciana, avó de um menino de 4 anos que perdeu o direito ao transporte, usou a tribuna livre para denunciar a situação. Em seu discurso, destacou que os vereadores foram eleitos para representar a população e votos foram dados em credibilidade, confiança e esperança.
A esperança das mães por uma educação melhor está sendo frustrada pelas decisões do prefeito, do secretário de Educação e dos vereadores que apoiam a medida e mandam mães se calarem.