Os desafios enfrentados pelas mulheres que atuam na Polícia Militar em busca de respeito

Publicidade

Já as mulheres que trabalham no 30º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano de Ribeirão Pires, relataram algumas situações que elas já passaram, onde precisaram se impor como mulheres e como profissionais.

A Sargento Letícia, de 40 anos, atua em Ribeirão Pires desde 2015 na ronda comercial, que tem como foco o “vizinhança solidária”. Ela relatou que nos 20 anos trabalhando na corporação já passou por momentos onde se sentiu desmoralizada por ser mulher e mãe solo, mas que sempre procurou se manter firme.

“Infelizmente já passei por casos de desrespeito, tentativas de assédio e discriminação dentro da corporação. Foram casos pontuais, mas temos sempre que nos manter e prosseguir, provando que somos capazes.” disse Letícia.

“Eles desacreditam e teve até uma situação que fui discriminada por ser uma mãe divorciada/solo. Isso me marcou muito e dói até hoje pois na ocasião eu precisava de uma alteração de escala e foi essa resposta que eu tive” relembrou a Sargeto sobre uma situação que passou dentro da corporação.

A Cabo Maysa Luz, de 34 anos, atua há 11 anos na PM e na unidade da Estância há 2 anos e meio, sendo a maior parte deste tempo dedicado diretamente ao atendimento de violência doméstica na Patrulha Maria da Penha, incluindo Rio Grande da Serra.

Maysa relatou que no início, foi difícil não fazer parte das ocorrências devido a fragilidade e situação da mulher, mas que atualmente consegue separar a situação. “Já pegamos flagrantes que foi muito difícil lidar e não me envolver, mas hoje em dia busco me manter neutra e atender aquela vítima da melhor maneira possível” afirmou.

Ela também relatou casos onde foi desrespeitada, durante abordagens, como quando um abordado fez uma “gracinha” por ela ser mulher e seu parceiro precisou intervir, e até situações onde sofreu racismo, por ser uma mulher preta, dentro da corporação.

“A gente precisa se reafirmar e mostrar uma postura forte (…) quando eu era temporária, exercendo voluntariado na parte administrativa, um homem que fazia parte da corporação me discriminava, não só pela cor, mas também tinha o preconceito. Ele me cerceava até mesmo de entrar na sala para tomar café, mas eu sempre tive os valores da minha família muito presentes e nunca me senti inferior a ninguém. Venci vários obstáculos e preconceitos, mas não deixo isso me contaminar” relatou Luz.

Ao todo, 13 mulheres fazem parte da corporação. Ambas também reforçaram a importância das mulheres participarem dos concursos para coibir essa enorme diferença.

“Às vezes essa diferença acontece principalmente pelo acúmulo de serviço colocado para as mulheres, sendo mães, donas de casa, isso acaba atrapalhando. Não ter uma ajuda, um apoio, acaba auxiliando para essa diferença” alegou Maysa.

“Eu mesma não fiz antes o curso para Sargento por diversos motivos, incluindo por ter filha pequena e devido ao meu casamento. Eu não recebia o apoio e sofria essa discriminação dentro de casa e acabei adiando esse sonho” frisou Letícia.