O ex-servidor da Câmara de Rio Grande da Serra, Gabriel Henrique Afonso Campagnoli, divulgou na última quarta-feira (15) um vídeo alegando que mentiu ao denunciar um suposto esquema de fraude em provas para cassar o mandato do prefeito, Claudinho da Geladeira (PSDB), além de uma delação junto ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo). Ele também relatou que sofreu manipulação por parte do secretário de Governo, Admir Ferro (PSDB).
De acordo com o ex-funcionário, além de agir a mando do secretário, ele recebeu valores para incriminar os vereadores. Assim, impedindo a continuação da comissão processante contra o prefeito.
O relato em vídeo aconteceu seis dias após a entrega de uma carta de desculpas protocolada no Legislativo no último dia 9 de junho. Segundo o documento, Admir teria procurado Gabriel para entender o motivo da exoneração, e se ele poderia sustentar algumas narrativas com intuito de prejudicar a ação dos vereadores.
“Admir perguntou qual seria seu preço e ele (Gabriel) disse que queria trabalhar. Nessa reunião, Admir disse que ele seria chamado na delegacia e ele deveria dizer que dos 17 requerimentos não respondidos pela Prefeitura, cinco haviam sido entregues, e que então, o presidente da Câmara, Charles Fumagalli, pediu para que ele achasse um jeito de fazer com que os 17 pedidos tivessem sido protocolados”, diz um trecho da delação de Gabriel junto ao MP.
Dessa forma, os vereadores defenderam durante a última sessão, a criação de uma CEI (Comissão Especial de Investigação) para tratar sobre o tema. No entanto, até o momento não tomaram nenhuma decisão sobre o assunto.
Por fim, questionamos a Prefeitura de Rio Grande da Serra, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos respostas.
Sobre a cassação
Claudinho da Geladeira era alvo de dois processos de impeachment. O primeiro instaurado após os parlamentares acusarem o gestor municipal de evitar responder os requerimentos. Já o segundo, de promover esquema de fura-fila da vacinação contra a Covid-19. Contudo, Claudinho nega todas as irregularidades.
Em outubro de 2021, o juiz Alexandre Chiochetti Ferrari, da Vara Única de Rio Grande da Serra, concedeu a suspensão das comissões inaladas pela Câmara. Na época, o magistrado alegou que o prosseguimento do procedimento sem ouvir o Executivo poderia configurar em ausência de amplo direito de defesa.


