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O Diário de Ribeirão Pires apurou com exclusividade diversas irregularidades que vêm sendo praticadas no Hospital de Campanha. Uma funcionária, que é contratada pela Santa Casa de Birigui – empresa que está sendo investigada na “Operação Raio-X”, por possíveis fraudes na saúde – afirma que médicos e enfermeiros não podem sair das dependências do hospital, foram proibidos de usar a cozinha do local, e que a comida fornecida a eles é guardada em um isopor sem as devidas condições adequadas.

A funcionária, que não será identificada, disse também que existem olheiros para vigiar os empregados, até mesmo quando estão usando o telefone celular. De acordo com ela, no horário de almoço ou jantar está proibido até se dirigir ao próprio veículo para descansar. Segundo as informações que obtivemos, o responsável pelas decisões é Leandro Borges, funcionário que realiza a gestão do Hospital de Campanha. A contratada da Santa Casa de Birigui relatou que algumas das restrições podem ter relação com a candidatura de uma ex-enfermeira responsável pelo Hospital de Campanha.

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A denunciante contou que por retaliação à ex-funcionária, que frequentava o lugar para almoçar e jantar com outros funcionários, foi proibido o uso da cozinha. Em comunicado emitido no dia 5 de outubro, os empregados foram notificados sobre a proibição do uso do fogão da copa, com a alegação de notificação por parte da Vigilância Sanitária.

Além disso, conforme denúncia, a enfermeira acusa Borges de assédio sexual. De acordo com ela, ele coage funcionárias do local a sair com ele, ameaçando demiti-las caso não aceitem a proposta. Ela revelou que algumas, por medo, acabaram cedendo.

Uma das acusações mais graves relatadas foi a de que a chefe do Hospital de Birigui fez um grupo no aplicativo Whatsapp, marcando uma reunião para o dia 29 de setembro, com o secretário e Leandro Borges. Ela declarou que durante a reunião os funcionários foram cobrados diversas vezes a mostrar apoio à reeleição do prefeito de Ribeirão Pires, Kiko Teixeira (PSDB). Os enfermeiros são pressionados a adicionar o slogan do político nas fotos de perfil de suas redes sociais.

Por fim, a denunciante informou que por diversas vezes tentou entrar em contato com o prefeito para pedir ajuda, mas não obteve nenhuma resposta.

Procurado, Borges disse que a questão seria esclarecida pela Prefeitura. Já a prefeitura, afirmou que o hospital foi estruturado com área para descanso, e que a área de alimentação, é livre para fazer lanches, cafés ou esquentar alimentos trazidos de casa. O órgão alegou que não é permitido cozinhar no local, pois não é adequado para este tipo de ação, mas não se manifestou em relação a denúncia de assédio sexual.