O Diário de Ribeirão Pires analisou o Plano de Governo feito pelo Prefeito Saulo Benevides (PMDB) para a eleição de 2012, quando acabou sendo eleito com 24.601 votos (58,31%). Entre as principais promessas feito pelo peemedebista estão mudanças nas áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública. Segundo levantamento feito pela equipe do DiárioRP, pequena porcentagem foi cumprida.

Por meio da Secretaria de Comunicação, o Prefeito foi procurado,  em duas oportunidades, pela nossa equipe – em 12 de janeiro e 26 de fevereiro – para falar sobre o Plano de Governo e expor os problemas enfrentados pela gestão, bem como esclarecer quais metas ainda podem ser cumpridas nos últimos meses do 1° mandato, mas não retornou os contatos.

 

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O primeiro ponto abordado no Plano de Governo de Saulo foi a Saúde. Foram colocadas cinco metas e nenhuma delas foi alcançada totalmente. O acesso pleno à Saúde, primeiro tópico, é questionado por munícipes, que usam redes sociais para protestar contra as condições das unidades do segmento na cidade. O DiárioRP denunciou diversos problemas na saúde ribeirão-pirense, como a falta de médicos, atraso nos repasses para pagamento de profissionais e falta de remédios. Uma das promessas cumpridas parcialmente foi a instalação de tomógrafo na cidade, inaugurado em outubro de 2015. As condições da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), localizado no bairro Santa Luzia, também são constantemente questionadas pela população. Em fevereiro de 2016, moradores do Bosque Santana protestaram contra a condição da unidade.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/02/22/tv-diario-moradores-do-bosque-santana-protestam-por-saude-em-ribeirao-pires/

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O desempenho na Educação Municipal teve melhora nos últimos anos. O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da cidade ficou entre as melhores da região em 2014 e apresentou crescimento em relação aos números de 2011. No Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) o resultado subiu de 5,9 para 6,1 – sendo o segundo melhor do Grande ABC, atrás de São Caetano. Já no Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), Ribeirão Pires liderou entre os municípios do ABC com a nota de 6,2 – crescimento de 0,2 comparado a 2011.

Apesar dessa melhora, outros objetivos colocados no Plano de Governo não foram atingidos. Um desses pontos, inclusive, causou polêmica no decorrer da últimos dias. No segundo tópico do plano, é colocado que um dos objetivos é “estimular parceria com Governo Federal e Estadual para instalação no município de extensão do Campus de uma universidade”. Em uma das sessões ordinárias da Câmara Municipal, o Vereador Eduardo Nogueira (SD) sugeriu a instalação de Universidade no terreno da Fábrica de Sal. A ação causou discussão entre o Parlamentar e o Chefe do Executivo, que desafiou o Vereador a trazer uma instituição de Ensino Superior para a cidade.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/03/28/prefeito-desafia-vereador-sobre-universidade-em-rp/

A recente instalação de Centro Cultural no prédio construído originalmente para abrigar o Hotel Escola fez com que outros dois pontos do plano fossem alcançados – resgate da banda e Orquestra Sinfônica do município e promover teatro acessível a população. A implantação da Casa do Hip Hop, que atende jovens com atividades culturais e esportes, foi outro ponto alcançado.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/03/23/tv-diario-centro-cultural-e-inaugurado-no-predio-do-hotel-escola/

A implantação de novo sistema de ensino e entrega de materiais escolares fez com outro tópico, também abordado no plano, não fosse cumprido. A entrega de uniformes, que não teve licitação aberta para confecção, foi criticada por pais.

 

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Neste segmento, o plano é conciso e apresenta apenas dois pontos. “Dar continuidade, melhorar e incentivar festividades municipais” é um deles e foi cumprido em partes. Em 2013, primeiro ano da gestão de Saulo, o tradicional Festival do Chocolate foi cancelado, sob alegação de falta de patrocinadores e uso de verba municipal. Cantores de renome no cenário brasileiro, como Paula Fernandes e Michel Teló, foram consultados para apresentações.

Em 2014, o festival foi realizado e contou com shows de Daniel, Ira!, Jota Quest, entre outros. Em 2015, a festividade também aconteceu, mas problemas em convênio firmado com o Rotary Club ficaram mais em evidência do que a festa em si. Os repasses feitos à instituição atrasaram e diversos artistas locais acabaram não recebendo pelas apresentações. O Paço estaria devendo cerca de R$ 1,1 milhão em repasses para a organização, que já promete nunca mais se envolver com o Festival do Chocolate.

Veja em: http://diariorp.com.br/2015/10/08/prefeitura-e-rotary-dao-calote-em-artistas-do-festival2015/

O episódio incentivou a criação de “ChoCalote”, evento proposto por artistas locais que não receberam cachê da Prefeitura.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/01/27/artistas-de-ribeirao-nao-pagos-criam-festival-do-chocalote/

O outro ponto, que previa “criar espaço para implantação de festividades de época e ocupá-lo com feira permanente de artesanato”, não foi alcançado pela Administração Municipal.

 

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Na Segurança Pública, os dados apontaram aumento de quase 100% no número de roubos nos três primeiros anos da gestão de Saulo Benevides. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o número de roubos teve um aumento de 97,7% comparando janeiro de 2013 e janeiro de 2016. Em 2013, foram registrados 44 roubos. Já neste ano, no mesmo período, o número subiu para 87 casos. O crescimento também acontece quando comparamos 2015 e 2016. Neste caso, o número foi 67,7% maior, sendo que janeiro do ano passado registrou 52 casos.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/03/02/roubos-aumentam-quase-100-em-rp/

A implantação de câmeras de segurança no centro da cidade foi cumprida. Em julho de 2015 No total serão 29 pontos de vídeo-monitoramento 24 horas definidos pelo alto índice de criminalidade. A definição dos locais foi feita após parceria entre a GCM (Guarda Civil Municipal), Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar. A integração e realização de parcerias entre GCM e PM foi outro tópico alcançado.

Entretanto, em denúncia feita ao DiárioRP, guardas civis reclamaram das condições de trabalho e dos equipamentos da corporação. No plano, foi colocado estudo de readequação salarial da GCM, tomando como base medial salarial do ABC, tópico não cumprido pela gestão.

Veja em:  http://diariorp.com.br/2016/02/24/gcm-enfrenta-diversos-problemas-em-rp/

 

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Em relação aos serviços urbanos existem muitas queixas da população. Apesar de pavimentação de diversas ruas, moradores reclamam que muitos dos serviços estariam sendo feitos pela metade.

Sobre iluminação pública, a situação de repete. Atrasos no repasse para a empresa Ribeirão Luz, responsável pela iluminação municipal, fez com que diversos problemas, como falta de manutenção e abastecimento, se tornassem comuns em alguns bairros da cidade e, inclusive,  incentivou protestos por parte dos munícipes. Apagões na região central também foram registrados nos últimos meses.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/02/12/tv-diario-apos-duas-semanas-iluminacao-publica-volta-a-funcionar-no-bosque-santana/

Veja em: http://diariorp.com.br/2015/12/03/apagao-da-iluminacao-publica-revolta-moradores/

 

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A ligação entre Ribeirão Pires e Meio Ambiente nos últimos meses remete a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). E as notícias não são boas. De acordo com o órgão ligado à Pasta de Meio Ambiente do Estado, a documentação necessária para interferir nas zonas de proteção ambiental, para construção do Teleférico, está atrasada.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/02/24/falta-de-documentos-basicos-causou-arquivamento-de-processo-do-teleferico-junto-a-cetesb/

O arquivamento do processo do Teleférico de Ribeirão Pires pela CETESB noticiado com exclusividade pelo Diário de Ribeirão Pires, ocorreu por falta de documentos complementares que mostrariam ao órgão as áreas de intervenção, imóveis (públicos e particulares) envolvidos no projeto plantas fazendo referência ao traçado real do Teleférico e planta de supressão de vegetação.

O DiárioRP teve acesso aos documentos enviados pelo órgão para a Prefeitura. No primeiro texto, enviado no dia 4 de novembro de 2015, a CETESB informa ao Paço que a falta de documentos complementares (citados anteriormente) inviabilizam a continuação das obras do Teleférico e deu ao Executivo o prazo de 30 dias para regularização dos mesmos. No dia 4 de dezembro, a Prefeitura protocolou pedido de prorrogação de prazo, sem justificativas técnicas, por mais 90 dias. A CETESB negou o pedido e encerrou o processo.

O desenvolvimento de plano de paisagismo urbano e instalação de mini zoológico e borboletário municipal não foram cumpridos pela Administração.

 

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Serviço Social e Desenvolvimento Econômico são as duas das páginas com mais conteúdos no plano de governo.

Em Serviço Social, dos 10 tópicos, dois deles foram cumpridos – instalação da Secretaria de Desenvolvimento Social em local acessível e do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). Os demais itens foram parcialmente ou não foram cumpridos.

Já no Desenvolvimento Econômico, a promessa de apoio às micro-empresas instaladas e a serem instaladas no município foi cumprida parcialmente, assim como a criação de estrutura de apoio as mesmas.

 

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No setor de transportes e trânsito, a situação relacionada ao plano de governo é complicada. A construção de uma mini-rodoviária no Centro Alto interligada a rodoviária atual, instalação de coberturas nos pontos de táxi, disponibilização de transporte com instalação de bondinho no Jd. Caçula, estudo de engenharia de trânsito, criação de central municipal para agendamento de transporte de pacientes e ampliação da frota de serviços especiais para hemodiálise, exames e transporte de sangue foram alguns dos pontos colocados no plano e não cumpridos.

Outro problema, enfrentado na Pasta de Trânsito está relacionado ao assédio moral com os servidores. Um funcionário que trabalhava no setor tributário de Ribeirão Pires foi transferido para o Departamento de Trânsito. Segundo colegas de profissão, a repartição não tinha equipamentos de segurança que servissem no servidor e, enquanto acompanhava uma procissão, o funcionário acabou se acidentando gravemente e tendo várias sequelas. A Prefeitura não teria dado nenhum suporte ao funcionário, que hoje sobrevive com doações.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/03/23/funcionarios-publicos-denunciam-irregularidades-em-secretarias/

 

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A situação financeira de Ribeirão Pires é um problema antigo para o Prefeito. Tanto que medidas de austeridade foram constantemente tomadas a fim de diminuir a folha salarial e aliviar os problemas enfrentados pela gestão. Mesmo assim, atrasos em repasses causaram problemas em diversos setores, como Saúde e Iluminação Pública, por exemplo.

Uma das expectativas do plano era a implantação do Cartão Servidor, com o objetivo de fomentar o comércio local. O benefício foi entregue em julho de 2015, após muita polêmica, já que a lei que regularizou o benefício acabou tirando as cestas básicas dos servidores.

Entretanto, um novo atraso de pagamento, dessa vez à Aciarp (Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Ribeirão Pires), ameaçou a continuidade do benefício em janeiro de 2016. Á época, o presidente da entidade, Marcelo Menato afirmou que o Prefeito teria pedido o cancelamento do convênio e até mesmo mandado um ofício para a Aciarp.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/01/08/saulo-pode-cancelar-cartao-servidor2/

Outro ponto, cumprido parcialmente pelo Paço, foi a disponibilização das contas públicas em um portal virtual. Apesar do site da Prefeitura dar acesso aos documentos, boa parte encontra-se desatualizado. A garantia de Plano de Carreira, Cargos e Salários e avaliação da necessidade de revisões salariais não foram cumpridas.

 

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Relacionado a esse segmento, o programa “Minha Casa, Minha Vida” apareceu como destaque no plano de governo. A Prefeitura teria cadastrado aproximadamente mil famílias para o projeto, que seria construído no bairro Jardim Serrano. Segundo informações passadas aos munícipes inscritos em novembro de 2015, um possível atraso na “Fase 3” do programa teria adiado o programa na cidade, o que gerou insatisfação e frustrou o sonho de muitas pessoas que tinham o sonho da casa própria.

Veja em: http://diariorp.com.br/2015/10/15/governo-federal-desmente-prefeitura-sobre-o-minha-casa-minha-vida/

A construção de um shopping também estava contido no plano. O PL 004/2016 entrou no Legislativo no início deste ano e causou muita polêmica, pautando a imprensa local por muitas semanas. O projeto previa conceder o uso da área do complexo Ibrahim Alves gratuitamente a empresários interessados em construir um centro de compras no local.

A discussão começou pelo complexo abrigar uma escola, uma biblioteca e a antiga Fábrica de Sal, patrimônio histórico da cidade. Grupos começaram a protestar contra a demolição do antigo moinho e, após Audiência Pública e novas discussões no Legislativo,  o Executivo decidiu tirar o projeto da pauta da Câmara Municipal, alegando que estudaria melhor o documento.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/03/16/prefeitura-retira-projeto-do-shopping-da-camara/

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/02/10/tv-diario-entenda-mais-sobre-o-polemico-shopping/

A implantação de ciclovia, revitalização de passeios municipais e readequação da passarela de Ouro Fino Paulista foram itens não cumpridos até o momento. A reforma do velório municipal foi cumprida de forma integral. O custo foi de R$ 502 mil (recursos municipais) e o local foi inaugurado em janeiro de 2016.

Veja em: http://diariorp.com.br/2016/01/26/velorio-municipal-e-reinaugurado-apos-obras/